Balaio de Histórias


Jesuítas no Mato Grosso


16 de setembro de 2010, por 11

Ruína de um dos prédios da Missão Utiariti, construído em meados de 1930.

Fotografia de Ivan Terribele.

As ruínas da Missão Jesuítica Utiariti, às margens do rio Papagaio, na divisa dos municípios de Campo Novo do Parecis e Sapezal, possuem quase oito décadas de história envolvendo diversas etnias indígenas da região e a Igreja Católica.

No local, foi construído um complexo de prédios a partir de 1930, incluindo a primeira escola indígena de Mato Grosso. A grosso modo, a cultura e as crenças do ‘homem branco’ foram impostas aos índios durante mais de 40 anos.

No local, os indígenas de etnias como Paresí-Haliti, Manoki e Nhambikwara aprendiam com os professores jesuítas a Língua Portuguesa, além de várias profissões em oficinas montadas na escola.

Diz-se que enquanto os índios mais fortes retiravam a madeira na floresta, os mais jovens aprendiam a fazer móveis, como cadeiras, mesas, armários e camas.

Salto Utiariti, no Rio Papagaio, com mais de 90 metros de queda – As Ruínas da Missão Jesuíta ficam ao lado.

Na fotografia de Juliano Olejas a cachoeira possui o formato do mapa do Brasil.

Levantamentos feitos por estudiosos informam que havia também uma oficina onde era ensinada a profissão de eletricista. Na vila havia até uma máquina de beneficiar arroz.

O vai-e-vem de índios entre as aldeias da região era grande. Talvez, por causa disso, anos mais tarde, os jesuítas decidiram manter somente as crianças em regime de internato. Esse modelo de catequização durou até 1972, quando o complexo foi desativado.

O índio Haliti Valdomiro Yamoré, da aldeia Vale do Papagaio, chegou à sede da Missão Jesuíta em 1955, aos seis anos, vindo da Aldeia Água Limpa, terra onde hoje fica uma grande fazenda no município de Campo Novo do Parecis.

"Eu estava muito doente, com sarampo, e as irmãs cuidaram de mim", conta Yamoré que passou sete anos na sede da missão.

As ruínas ficam na área da aldeia Utiariti, dentro da reserva Tirakatinga, dos índios Nhambikwara, entretanto, não há ninguém vivendo especificamente na sede da missão, apesar das belezas naturais e da importância histórico-cultural.

A poucos metros do que restou das estruturas de concreto “levadas pelo não-índio em lombos de jumento”, pode-se ver o Salto Utiariti, uma cachoeira com queda d’água de aproximadamente 100 metros de altura.

Tal salto é propício para a prática de esportes radicais como rafting e rapel.

Apesar de o local ter importância turística evidente, os potenciais pouco têm sido explorados. Desde 2007, os índios reivindicam a atenção do Estado para a exploração do turismo no local.

 

Texto de Alexandre Rolim e Ivan Terribele



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