Se hoje é vista como algo desejável, a independência do sexo feminino já foi tema tabu. E um capítulo importante dessa relação entre História e gênero está no tratamento dado às mulheres que “ficavam para a titia”, como costuma-se dizer. O papel das “solteironas” na sociedade é o principal da tema de pesquisa da historiadora Cláudia Maia, que participou de debate em Campo Grande, no Ponto de Cultura Afrodite-se, pelo projeto Balaio de Histórias. Além da palestra, o evento contou também com a apresentação do espetáculo "Apareceu a Margarida", texto de Roberto Athayde.
No evento, Cláudia apresentou sua pesquisa sobre o assunto, desvendando os estereótipos por trás do termo e suas mudanças após a emancipação das mulheres no século XX. A historiadora prepara-se para lançar um livro em 2011 sobre o assunto.
O Ponto de Cultura Afrodite-se destaca-se por seu trabalho teatral com mulheres com experiências de violência doméstica. De acordo com Cláudia, é algo recente o entendimento aprofundado do conceito de agressão doméstica dentro do âmbito das ciências sociais. “As primeiras pesquisas tiveram por objetivo dar visibilidade ao problema da violência, privilegiando a construção dos perfis de agredidas e agressores; identificar os crimes mais cometidos e, posteriormente, analisar as ações do Estado através do desempenho das Delegacias da Mulher. Caracterizavam-se pela imprecisão em relação aos termos utilizados, tomando “violência contra mulheres”, “violência familiar” e “violência doméstica”, muitas vezes, como sinônimos”, afirma.
Em sua apresentação, além de abordar aspectos teóricos das relações de gênero, a historiadora traçou um breve panorama histórico das solteironas e desfez alguns mitos sobre a dominação masculina. Um deles afirma que a ocorrência de casos de agressão é maior entre casais de baixa renda ou menor nível de escolaridade.
Para Cláudia, porém, as pesquisas não confirmam esta ideia. “Casos de violência doméstica ocorrem também com frequência entre as classes mais favorecidos e mesmo contra mulheres supostamente esclarecidas sobre o assunto e militantes da causa feminista”, garante.

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