Gritos do Ipiranga

O debate político e intelectual que antecedeu a Independência do Brasil é tema de programa de TV que vai ao ar nesta quinta, às 22h

  • Já se foi o tempo em que o ‘grito do Ipiranga’ foi considerado pela historiografia como maior marco da independência do Brasil. A derradeira separação do país da metrópole lusitana culminou de um processo longo, que envolveu guerras de sangue e, também, de letras. Nos meses que antecederam o 7 de setembro de 1822, a elite intelectual brasileira discutia em público, por meio de panfletos, a situação local. Jornalistas, militares, padres, políticos trocavam opiniões e também insultos. A pressão contra a monarquia catalisada pelos periódicos frequentemente colados nas ruas da capital da colônia foi de fundamental importância para a decisão do futuro Imperador, D. Pedro I.

    Por ocasião da celebração da independência, o programa ‘Caminhos da Reportagem’ da TV Brasil vai ao ar nesta quinta, 6, às 22h, com o tema “Panfletos da Independência, o grito nas ruas”, reunindo depoimentos de historiadores a respeito daquele período. José Murilo de Carvalho, Lúcia Bastos e Marcello Basille contam ao público como foi a busca por estes chamados “manuscritos de circunstância”, e o quê eles representaram para a formação do Brasil contemporâneo.

    O tema também já foi discutido pela Revista de História outrora, em artigos publicados na edição “A guerra da Independência”. Na ocasião, a historiadora Lucia Bastos falou sobre a construção de uma imagem heroica de D. Pedro I ao longo do tempo: contou, inclusive, que o grito do Ipiranga, eternizado pelos pincéis de Pedro Américo na tela Independência ou morte, não teve qualquer repercussão para seus contemporâneos. “Na imprensa do Rio de Janeiro, somente o número de 20 de setembro do jornal O Espelho exaltou “o grito acorde de todos os brasileiros”. Na prática, a Independência estava longe de chegar. Três séculos depois do descobrimento, o Brasil não passava de cinco regiões distintas, que compartilhavam a mesma língua, a mesma religião e, sobretudo, a aversão ou o desprezo pelos naturais do reino, como definiu o historiador Capistrano de Abreu”, escreve a pesquisadora da Uerj, em “Nem as margens ouviram”.

     

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