Déa Fenelon

Ela lutou pela entrada dos professores do ensino básico na ANPUH

Fabiano Villaça

  • Ao longo da frutífera vida acadêmica, diferentes campos de pesquisa despertaram-lhe o interesse e provocaram questionamentos: história e trabalho, memória e patrimônio foram alguns dos principais, mas nenhum deles superou a seara a qual Déa Fenelon se dedicou durante toda a sua carreira: a questão do ensino da História.

    Em 1961, formou-se em História na Universidade Federal de Minas Gerais. Pouco depois, partiu para os Estados Unidos, onde freqüentou um curso de especialização na Duke Univesisty (1964) e, anos mais tarde, outro na Johns Hopkins University (1970). Em 1973, obteve o título de doutora em História pela UFMG.

    Déa Fenelon atuou em diversas universidades. Começou a dar aulas no departamento em que se graduou como professora de História da América. Na década de 1970 passou pela Universidade de Brasília (UnB) e pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), nas quais lecionou História da América, História Contemporânea e Teoria e Metodologia da História, além de ter coordenado o curso de mestrado em História da UNIMEP. Em 1975, entrou para o Departamento de História da UNICAMP, onde permaneceu até 1986, dois anos depois de ingressar na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ainda na década de 1980, teve uma rápida passagem pela Universidad Autonoma Metropolitana, no México. Nessa época, seu interesse por projetos ligados ao patrimônio, ao trabalho e à cultura já se fazia notar. O que a levou a ocupar o cargo de presidente do Departamento de Patrimônio Histórico de São Paulo, na prefeitura de Luiza Erundina (1989-1993).

    Na área da Educação, foi uma das coordenadoras de uma proposta curricular para o ensino de história na rede pública de São Paulo, ainda na gestão Erundina. Uma de suas maiores vitórias nesse campo foi ter conseguido, após muita discussão, garantir a admissão de professores do ensino fundamental e médio como sócios da ANPUH (Associação Nacional de História), em proposta apresentada no Simpósio Nacional de 1977, aprovada dois anos depois.

    Sobre a dedicação da professora ao ensino da História e à formação de novos docentes, vale recorrer às palavras do professor Marcos Silva, da Universidade de São Paulo: “Conheci Déa Fenelon em 1978, através de Olga Brites, que iniciava o mestrado em História na PUC-SP, ao mesmo tempo que eu começava meu mestrado na mesma área na FFLCH-USP. Olga me falou, com extremo entusiasmo, das aulas de Déa (...). Pedi autorização para acompanhar o curso como ouvinte, fascinado com a liberdade e o rigor de Déa, mesclados à evidente generosidade de quem via na docência um ato digno de pensamento e uma prática social muito clara de socialização de saberes. Déa falava dos clássicos com um respeito indagador de quem queria ainda mais. E insistia com os jovens iniciantes sobre a necessidade de uma insatisfação fundante diante dos saberes existentes”. (“Dea Fenelon e a beleza da história”. In: Paisagens da Crítica, blog mantido por Julio Pimentel Pinto).

    Déa Fenelon escreveu dezenas de artigos, além de alguns livros, como 50 textos de história do Brasil (1974), A Guerra Fria (1983), Fontes para a história da industrialização no Brasil, 1889-1945 (1983) e Diagnóstico e avaliação dos cursos de história no Brasil (1985). Organizou, ainda, as coletâneas Sociedade e trabalho na história (1985/86) e Cidades (1999).

    Déa Ribeiro Fenelon faleceu no dia 20 de abril de 2008.

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