Quando arrisquei um comentário sobre o que eu esperava de 2011, fui extremamente amargo. A experiência mostra que ser pessimista pode prevenir contra os reveses que a vida sempre nos apronta. Mas, quando o destino é maroto e nos reserva algo de bom, a boa surpresa fica ainda mais evidente. Foi o que, de certo modo, aconteceu na política brasileira (ou na forma como a percebi) durante este ano.Confesso que fui na contramão da explosão de felicidade que decorria do fato de uma mulher ter sido eleita presidente da República. Nunca entendi muito bem como justificar a esperança de mudanças estruturais em um país tão “complexo” como o Brasil a partir de uma característica tão secundária para a satisfação de expectativas de ordem cultural – neste caso, o gênero, mas que poderia ser a cor, a orientação sexual, a preferência por cães ou gatos, ou qualquer outro rótulo da vez.
Entretanto, a condução do Executivo pela presidente Dilma me surpreendeu positivamente. Não porque ela é mulher (amo as mulheres, mas nunca tentei relacionar isso a alguma inclinação moral inata, cromossômica, desta parcela da humanidade). O que me pegou de surpresa foi o fato de que ela não tem sido transigente com falcatruas. Em dezembro de 2010, escrevi sob o impacto de algumas desilusões (eu conservava a capacidade de me desiludir até aquela data); não acreditava que uma tão evidente (ou reivindicada) continuidade política pudesse trazer em si algum germe de mudança, quando a novidade reiterada pela militância mais espalhafatosa era o gênero do candidato (atualmente, as militâncias têm se engalfinhado em uma disputa para saber quem rouba menos, ou qual aliado da imprensa fica menos à direita, é menos golpista etc).
Errei. Este primeiro ano de governo foi, também, um ano de reforma ministerial. É evidente que o atual governo ainda presta tributos ao anterior, que o partido é o mesmo, que os aliados de peso são os mesmos (como, aliás, são os mesmos de há quinze anos ou mais). Entretanto, ao contrário da administração anterior, os auxiliares diretos da Presidência tiveram que se enquadrar em critérios de probidade – o que já é um avanço, embora seja apenas um ponto de partida. A reforma ministerial não declarada, mas feita, colocou na rua sete ministros, sendo que seis deles por conta de denúncias de corrupção. A atual ocupante do Palácio do Planalto, que tem uma trajetória marcada por um projeto político que está além de um projeto de poder, não quis colocar tudo a perder (o que inclui sua biografia) angariando apoio partidário a qualquer custo. Acertou.
Mas tudo será pior no ano que vem.
Rodrigo Elias é pesquisador da Revista de História da Biblioteca Nacional















































































