2011: perdas irreparáveis

O ano de 2011 ficou marcado pela perda de grandes estudioso da história do Brasil. Muitos deles passaram pelas páginas da RHBN

Gefferson Ramos

  • Max Justo GuedesEm janeiro, faleceu em Paris a historiadora grega Kátia Mattoso, que dedicou sua vida a estudar a história da Bahia. Como prova da importância de seus trabalhos, sua tese de doutorado “Bahia, século XIX – uma província no Império” (Nova Fronteira, 1992), foi responsável por abrir a Cátedra de História do Brasil na Sorbonne na França. Era apenas a primeira de uma série de perdas de grandes nomes da historiografia que teriam 2011 fincados na lápide.

    Em abril, também morreu o historiador português Vitorino Magalhães Godinho, que lançou as bases para os estudos sobre a história do Império português. Sua última entrevista foi concedida a RHBN (n 69). Também nos deixou o geógrafo Maurício Abreu, formado na tradição da Escola dos Annales, que propunha a aproximação da História com outras disciplinas como a Geografia. Abreu foi professor da UFRJ e deixou o monumental “Geografia História do Rio de Janeiro (1502-1700)”, resultado de mais de 15 anos de pesquisa.

    Maria YeddaEste ano também se foi Eulália Maria Lahmeyer Lobo, primeira mulher a defender uma tese de doutorado em História no Brasil; e Eni Mesquita Samara, professora da USP, morta em agosto, deixando como legado estudos que ajudaram a reavaliar a ideia de sociedade patriarcal no Brasil no período colonial (veja a entrevista concedida a RHBN n 64).

    A história Naval e a história da Cartografia no Brasil perderam seu maior estudioso: o contra-almirante Max Justo Guedes (RHBN n 22). A historiadora da USP Iris Kantor destacou que os trabalhos de Guedes foram responsáveis por fazer renascer os estudos da cartografia luso-brasileira nas universidades brasileiras na última década. Por fim, a história agrária brasileira também perdeu neste ano uma de suas precursoras, com o falecimento da historiadora cearense Maria Yedda Linhares, aos 80 anos de idade.

     

     

    Gefferson Ramos é pesquisador da Revista de História da Biblioteca Nacional

     

     

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