Tiradentes foi enforcado na atual Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro?

Nireu Oliveira Cavalcanti

  • Não. A localização da forca era de competência da Câmara de Vereadores, que decidiu, em meados do século XVIII, posicioná-la fora da muralha da cidade, no subúrbio do Campo de São Domingos, na altura do atual cruzamento da Rua Senhor dos Passos com a Avenida Passos.
    Promulgada a sentença de Tiradentes, o vice-rei, conde de Resende, querendo dar maior visibilidade ao enforcamento, propôs a construção de uma nova forca no Largo da Lapa, mas a idéia não vingou. A solução foi reformar a velha forca, acrescentando degraus.

    O cortejo do condenado, da Rua da Cadeia (atual Assembléia Legislativa estadual) até a forca, percorreu os seguintes logradouros: Largo da Carioca, Rua da Carioca, Largo do Rocio (mais tarde Praça da Constituição, atual Praça Tiradentes) e Rua da Lampadosa (Avenida Passos), onde foi permitido ao condenado fazer suas últimas preces em frente à igreja homônima. Logo adiante, na Rua da Forca (Senhor dos Passos), encontrava-se o patíbulo.

    A versão do enforcamento no local da atual Escola Tiradentes (Rua Visconde do Rio Branco), dada pelo republicano Miguel Lemos, tinha o objetivo de varrer da cidade lembranças do Império, com a troca do nome da praça, de Constituição para Tiradentes, e a destruição do belo monumento a D. Pedro I, primeiro a ser edificado no Rio de Janeiro. Versão falsa que foi contestada documentalmente por Vieira Fazenda na imprensa da época.

    Nireu Oliveira Cavalcanti é professor da UFF e autor de O Rio de Janeiro setecentista: a vida e a construção da cidade, da invasão francesa à chegada da Corte (Jorge Zahar Editora, 2003)

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