Arte pré-histórica em risco

Pinturas rupestres no Pará terão livros, exposição, documentário e website em novembro

Cristina Romanelli

  • Foto: Edithe PereiraEm matéria de pré-história, a cidade de Monte Alegre, no noroeste do Pará, pode se considerar premiada: ali existem cerca de 20 sítios arqueológicos com pinturas rupestres. O problema é que, mesmo com o Parque Estadual de Monte Alegre (Pema), criado em 2001 pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, o acesso é completamente livre e muita gente acaba depredando os sítios. Para tentar conscientizar a população, será realizado este ano o projeto “ArterupestredeMonteAlegreDifusão ememóriadopatrimônioarqueológico”, que inclui um ciclo de palestras, uma exposição, dois livros, um pequeno documentário e um portal na Internet. A previsão é que tudo seja lançado em novembro.

    O projeto está sendo organizado por Edithe Pereira, arqueóloga do Museu Paraense Emílio Goeldi e autora de Arte rupestre na Amazônia (2004). “Nos anos 1990, a arqueóloga norte-americana Anna Roosevelt datou um dos sítios em mais de 11.000 anos, mas muitas pessoas continuam sem saber a importância disso. Aproveitam pra ganhar dinheiro levando turistas até lá, passam informações erradas e têm ganhos individuais. Não é isso que queremos. A única saída é a educação. Os pesquisadores não moram lá; são os moradores que devem se apropriar desse patrimônio”, afirma ela.

    Os dois livros – um deles voltado para o público infantil – terão 1.000 exemplares impressos, distribuídos em Monte Alegre e nos municípios ao redor, além de uma versão on-line. Já a exposição será formada por aquarelas das pinturas rupestres, feitas por um artista local, e por informações sobre os sítios. Ela deve ficar permanentemente no município. Professores serão capacitados para utilizar o material do projeto em sala de aula, e alunos serão os guias da exposição.

    Edithe tem outro projeto aprovado pelo CNPq, dedicado ao estudo da forma de ocupação das populações que fizeram essas pinturas. Segundo ela, a maior parte deve ter sido feita por povos ceramistas do primeiro milênio da nossa era. “É uma hipótese criada pela comparação das semelhanças estilísticas de motivos que estão nas rochas com os de cerâmicas desse período. No projeto, pretendo também procurar mais sítios, fazer a documentação digital deles e incluir um trabalho de preservação, já que nada é feito atualmente”, conta.

    De acordo com a gerente do Pema, Patrícia Messias, a destruição do patrimônio arqueológico vem acontecendo de forma desenfreada, mas deve diminuir assim que for inaugurada a estrutura de visitação do parque, em parceria com o Iphan e o Museu Paraense Emílio Goeldi. “Ainda não tem data certa para inauguração, mas estamos elaborando a estrutura do parque. Vamos fazer a formação continuada de professores para inserir a educação patrimonial nas escolas e trabalhar com as comunidades, para que os próprios moradores sejam parceiros no processo de controle do patrimônio”, garante Patrícia.

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