Esqueletos gigantes de dinossauros, múmias, insetos raros, astrofísica, evolução do planeta Terra. Com temas tão variados e instigantes, os museus de História Natural fazem a alegria até de quem não curte visitar exposições. Alguns deles estão no roteiro básico de turistas que vão a cidades como Nova York e Londres. Aqui no Brasil, por enquanto, não há qualquer instituição de porte semelhante, mas os pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, têm um projeto ambicioso. Eles querem criar o Museu da Biodiversidade em um prédio totalmente novo no campus da universidade. O orçamento, por enquanto, gira em torno de R$ 70 milhões.
“No Brasil, o maior museu do tipo é o Museu Nacional. É o mais antigo, com o acervo mais completo. Na parte de botânica, temos também a Instituição de Botânica de São Paulo, o Jardim Botânico do Rio, alguns herbários, como o da UnB e o do Goeldi, que foi criado em 1895 e tem a maior coleção de tipos da Amazônia. Mas acho que devemos enriquecer mais os acervos. Precisamos fazer mais coletas, a comunidade precisa conhecer mais esse trabalho”, afirma Ricardo Secco, curador do herbário do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, no Pará.
A ideia de criar um museu mais completo surgiu na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, que criou no ano passado uma comissão para elaborar o projeto. “Submetemos a proposta de um dos módulos do museu à aprovação da Finep [Finaciadora de Estudos e Projetos]. É um edifício de quatro andares onde ficariam as coleções e os laboratórios de pesquisa. Vamos ter que buscar patrocínio aos poucos”, conta o pesquisador Flávio Bockmann. Enquanto o museu não é erguido, a faculdade já ganhou armários novos para guardar as coleções e está comprando alguns equipamentos. Além disso, até março de 2012 será lançado um site com dados da coleção já reunida, conteúdos relacionados à biodiversidade e alguns dos chamados materiais-tipo, como radiografias de vertebrados, utilizados para descrever organismos.
Embora ainda esteja dando os primeiros passos, a equipe da universidade sonha alto. Segundo Bockmann, o desenho do prédio vai ser todo elaborado em função da exposição. “A ideia é que se comece com a origem do universo, antes de entrar na questão da vida, da origem dos organismos. Vamos falar da evolução da Terra e das teorias de tectônica, vamos ter fósseis e até umas pequenas florestas onde os visitantes poderão caminhar”, conta ele. A coleção da USP inclui um herbário e um importante acervo de Zoologia, com a maior coleção de abelhas sem ferrão do mundo. O novo espaço que vai abrigar esse material tem a intenção de ser o principal da América Latina, mas ainda depende de recursos. Alguns planos são mantidos em segredo, mas o certo é que, para atingir o nível dos grandes museus internacionais, ainda vai ser preciso muito trabalho.
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Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto: www.ffclrp.usp.br















































































