Um dos maiores colecionadores brasileiros de cartões postais. Mas não apenas isso: um homem generoso, humilde, que jamais desmerecia seu interlocutor. Extremamente solícito, que recebia a qualquer pessoa em sua casa, na Tijuca, Zona Norte do Rio, onde passava longas horas falando sobre seu acervo. Assim que descrevem Elysio Custódio Gonçalves de Oliveira Belchior, que veio a falecer dia 14 de junho, aos 88 anos (nascera no Rio de Janeiro, no dia 23 de agosto de 1923).“Seu Elysio emprestava seus cartões com a mesma animação com a qual os apresentava. Falava sobre detalhes do cartão, da mensagem que continha (manuscrita ou impressa) e da imagem que portava”, conta Nataraj Trinta, pesquisadora iconográfica da RHBN.
“Ele era um dos maiores especialistas em história do Rio de Janeiro, com um trabalho importante desde o ano 1950”, contou o presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), Arno Wehling, onde Elysio era, além de sócio titular desde 1993, 2º secretário da direção.
Wehling contou que Belchior era economista de formação. Trabalhou durante anos na Confederação Nacional do Comércio e, nessa área, contribuiu produzindo dicionários de conceitos em economia. No próprio IHGB, foi o responsável pelo volume do dicionário de sócios estrangeiros.
“Ele escreveu uma biografia bem feita sobre o Visconde de Caiuru (‘Visconde de Cairu: vida e obra’), em 1956, reeditado pela Confederação do Comércio em 2000, que tinha sido objeto de um concurso em que ele tirou em 1º lugar. É um trabalho minucioso, com pesquisa em várias fontes, fontes primárias, bem realizado”, lembrou Wehling.Mas era como colecionador de cartões postais que Elysio é mais conhecido hoje em dia.
“Ele tinha uma coleção primorosa”, diz Wehling: “E não era só uma coleção passiva, mas ele fazia análise, em cima de alguns cartões.”
Sobre o destino do acervo, não há nada oficial. Mas há a informação de que, como ele não tinha família, teria dado instruções para passar para o acervo para o IHGB.
“O importante é valorizar esses documentos e também não perder caráter de coleção”, conclui Wehling.
Sua missa de sétimo dia será realizada na Igreja de Santa Luzia, no Centro do Rio, nesta quarta-feira (22).















































































