A professora Márcia Abreu, que dá aulas de Literatura do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, já escreveu dois artigos para a “Revista de História da Biblioteca Nacional”, ambos falando, de uma forma ou de outra, sobre a história da literatura no Brasil. Hoje em dia, por exemplo, mantém o site Caminhos do romance, vinculado à Unicamp, dedicado, exatamente ao estudo desse gênero narrativo, mal visto pelos mais "cultos", entre os séculos XVIII e o XIX.Em um dos artigos escritos para a “Revista...”, de agosto de 2007, a professora alerta desde o título: “Cuidado: ler é um perigo”. Ela escreve sobre como havia a imaginação de que a leitura influenciava diretamente o comportamento das pessoas e, por conta disso, havia uma censura arraigada sobre as obras e, claro, sobre os leitores.
Nesse momento, Márcia dá continuidade ao estudo sobre as obras que caíram no crivo dos homens poderosos, que decidiam o que poderia ou não ser lido. Ela está em Paris, “fazendo pesquisas sobre a circulação de livros licenciosos entre França, Portugal e Brasil”, como explicou.
“Essa pesquisa está vinculada a um projeto maior, coordenado por mim e pelo professor Jean-Yves Mollier (da Université de Versailles Saint Quintin)”, diz ela. “O projeto se chama ‘A circulação transatlântica dos impressos – a globalização da cultura no século XIX’ e tem o objetivo de conhecer melhor os impressos e as ideias em circulação entre Inglaterra, França, Portugal e Brasil no longo século XIX (1789 – 1914).”
Ela contou que o projeto internacional que está se iniciando agora tem até 2015 para se concluir.
“São mais de 30 pesquisadores dos quatro países, cujos objetivos são identificar e analisar as práticas culturais, econômicas e políticas inerentes aos processos de circulação dos impressos e ideias em escala transnacional, assim como observar as apropriações dessas ideias”, conta Márcia, que aponta os caminhos do projeto: “pesquisamos os escritos e ações dos letrados, bem como as atividades de censores, editores, impressores e livreiros.”
Um trabalho dessa magnitude também desperta receios dos próprios pesquisadores. Mas Márcia se disse esperançosa com os resultados.
“Estamos torcendo para que a pesquisa dê bons frutos! e que o gigantismo não seja um problema.”
















































































Jéssica Carvalho
8/2/2011Demais a notícia, sou uma apreciadora do século XIX, apesar dos pesares!