Entre tempo e narrativas

Contos de Shaun Tan podem ajudar em uma reflexão sobre narrativa.

Nashla Dahás

  • Shaun Tan / Contos de Lugares distantesContos de lugares distantes

    Shaun Tan

    104 páginas, R$ 45

    Editora Cosac & Naify

     

    O raciocínio histórico possui uma dimensão narrativa, de maneira que a saída que ele aponta para quem persiste no exercício da compreensão do mundo, em sua caótica contingência, é tornar-se contador de histórias. Mesmo quando o pensamento e a realidade se mostram fora de sintonia, quando o desconhecido torna frágeis os sentidos comuns a respeito da vida, o ato da elaboração das narrativas, ou do simples contar histórias, surge como meio aberto para pensar os acontecimentos que os conceitos convencionais não iluminam mais. Aprender a reconstituir os eventos na imaginação torna-se condição para entender os seus sentidos.

    Em Contos de lugares distantes, o celebrado autor de literatura infanto-juvenil Shaun Tan narra histórias de crianças e jovens em busca de significados para as suas experiências, especialmente para a surpresa causada pelo “desconhecido”. O vizinho búfalo e seu terreno baldio, um estudante de intercâmbio que aparece durante as férias, a aparição de um grande animal marinho no gramado em frente a casa ou mesmo gravetos espalhados pelo meio da rua desencadeiam tentativas – ora frustradas, ora bem-sucedidas – de nomear e guardar na memória as sensações experimentadas. 

     

    Shaun Tan / Contos de Lugares DistantesShaun Tan / Contos de Lugares Distantes

    As 15 historietas que compõem o livro trazem temas universais e atemporais, como amizade, perdas e medos. Não impõem linearidade e convidam cada um a recontá-las experimentando sentidos possíveis, de acordo com graus de maturidade ou sensibilidade mais ou menos despertados pela leitura. Eis o elem

    ento especial deste estímulo à postura narrativa: a valorização das palavras e dos sentidos das ações humanas em sua singularidade.

     

    Atividade Proposta

    Shaun Tan / Contos de Lugares Distantes

     

    Eis minha sugestão: que as páginas sejam abertas ao sabor da sorte e que, acompanhados pelo professor ou sozinhos, os alunos leiam em voz alta os fragmentos que encontrarem, dando continuidade a eles com a própria imaginação. O futuro incerto de cada personagem ou acontecimento dependerá da elaboração, dos desejos e experiências vividos ou imaginados por cada aluno.

    O elemento especial deste tipo de atividade consiste no estímulo à postura narrativa: a valorização das palavras e dos sentidos das ações humanas em sua singularidade.

     

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    Nashla Dahás é pesquisadora da Revista de História da Biblioteca Nacional

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