Neste mês, a RHBN está no clima de terror. Se você já viu algum monstro ou já ouviu falar de alguma maldição na sua cidade, escreva um causo e mande para nós. Abaixo, o jornalista Valter Cassalho, de Joanópolis (SP), conta a história da bruxa Belisária. Veja também as origens do monstro da capa da edição deste mês da RHBN.
Dentro do nosso folclore regional a situação das crianças era bem complicada, principalmente nos primeiros dias de vida, quando ainda não eram batizadas. As crianças corriam o risco de serem devoradas por lobisomens, sugadas por bruxas, raptadas por curupiras, privadas de seu leite pela cobra grande, aterrorizadas por cucas e além é claro dos perigos dos quebrantos e mau olhados.No alto da serra numa pequena choupana um choro estridente de recém-nascido enchia o pequeno ambiente. Para desalento dos pais o pequenino rebento, único varão da família, estava doente. Benzimentos, preces, queima de ervas mágicas e nada da criança melhorar. Distante da cidade, sem condução e condições, chamaram nhá Assunta, benzedeira renomada em toda a região. Apesar da idade avançada, a velha e magra senhora, arcada pelos idos anos, ainda mostrava destreza nas pernas e um largo sorriso que contrastava com seu vincado e pálido rosto. Logo que subiu o penoso morro, pegou a criança, macilenta e amarela e passou-a por um braseiro de onde fumegavam pedaços de sabugos, palma benta e cascas de alho. Desenrolou a criança e examinou o umbigo, o qual estranhamente estava demorando a secar e cair, retirou a moeda que o apertava e em seguida colocou uma medalha do Divino em seu lugar, tornou a enfaixá-la e a fez dormir um sono profundo.
Nhá Assunta resolveu pernoitar ali mesmo e enquanto jantavam ao cair da noite suas suspeitas se confirmaram. Apesar da casa toda fechada, viu uma grande e cinzenta borboleta invadir a casa, dirigindo-se para o quarto do rebento, iluminado por fraca lamparina do altar de Santo Antonio. A benzedeira levantou-se e disse em voz alta e firme: -Vade retro criatura má, amanhã passe aqui e lhe daremos o sal! A borboleta, como por encanto, desapareceu.
Assustados e sem nada compreenderem, os pais da criança entre olharam-se e nhá Assunta explicou que era a bruxa que ali estava, uma criatura má a qual tinha o poder de transformar-se em vários animais, principalmente em borboletas cinzas (mariposas), alimentando-se de sangue de recém nascidos, sugando-lhes os umbigos, era por isso que a criança estava doente e fraca.
Tornava-se bruxa a sétima filha de uma seqüência de mulheres ou aquela que por opção pactuasse com o diabo seus maléficos poderes. Hipnotizava os rapazes, fazendo-os crer que ainda era jovem e bela, raptava as crianças e as abandonavam para longe das casas, viviam em fortes tormentos e em busca de sal, o qual não podiam tocar a menos que lhe fosse ofertado por alguém, este sagrado elemento aliviava sua maldição e é por esta forma que eram impelidas compulsivamente a buscar sal quando lhes ofertavam. Seu fadário era muito parecido com o do lobisomem, herdavam-no pelo sétimo nascimento (neste caso seqüência de mulheres), percorriam sete cidades, transformando-se em animais e vagavam pelo mundo pagando penitência.
No outro dia a criança já estava melhor e quando despediam-se, a velha Belisária moradora da beira do rio apareceu muito envergonhada, estendeu a mão e nhá Assunta deu-lhe um punhado de sal. Calada foi embora e nunca mais ninguém a viu nas redondezas. Nhá Assunta voltou para sua casa e foi informada que o umbigo da criança caiu, cicatrizou e a criança ficou cheia de saúde. Quanto a bruxa Belisária, possivelmente habita outra cidade, até que um dia descubram seu triste fadário!
Valter Cassalho é jornalista e vice-presidente da Associação de Criadores de Lobisomens
















































































Teresa Silva
5/2/2012Não sei se no interior de Minas Gerais ainda guardam rigorosamente a sexta-feira da Paixão. No tempo do meu avô, lá se vão uns 100 anos, diziam que quem não guardasse esse dia, conforme a igreja católica mandava, via o Diabo em pessoa. Meu avô quando rapaz desafiou essa crença, indo a uma festa na noite da sexta-feira da Paixão com uns amigos. Quando voltavam da festa a cavalo, na escuridão de uma estrada de terra, de repente os animais ficaram agitados e começaram a relinchar alto. E surgiu na frente de todos um animal medonho que eles nunca viram na vida, chifrudo e de olhos vermelhos como sangue. Assustados, meu avô e os amigos chicotearam os cavalos para fazê-los correr. Quando chegaram à casa mais próxima, tanto os homens como os animais arfavam de cansaço e de medo. E pelo resto da vida, meu avô nunca mais deixou de guardar a sexta-feira da Paixão, acreditando que tinha visto o Diabo.
Joel Martins
5/2/2012Logo percebemos que esta matéria foi escrita por um jornalista.
João Campos
3/2/2012Em alguns lugares de Minas, acho que até em BH, tem a história da mão peluda. Essa mão costumava botar medo nas crianças que não se comportavam e faziam xixi na cama...