A máxima distinção, na categoria de literatura brasileira, do Prêmio Literário Casa das Américas deste ano ficou com os historiadores Marcus J. M. de Carvalho, Flavio Gomes e João José Reis. A obra “O Alufá Rufino: Tráfico, escravatura e liberdade no Atlântico negro (1822-1853)”, narra o escravismo no Atlântico sul, em meados do século XIX, usando como guia um personagem muito original: Alufá Rufino, um africano muçulmano escravizado no Brasil, que consegue comprar sua liberdade e viver uma vida de aventuras a bordo de navios negreiros, um dos quais é capturado pelos ingleses em 1841.
João José Reis falou sobre a honra em ser agraciado na 53ª edição do prêmio, que aconteceu em Cuba, e que tal reconhecimento se estende a toda a historiografia brasileira.
“Foi com alegria que recebemos a premiação, uma vez que a Casa de las Américas representa uma das principais, se não a principal, instituição dedicada à integração de intelectuais, escritores e acadêmicos da América Latina. E o faz sem censura ideológica ou política, mas com o espírito de promoção especificamente do pensamento latino-americano. Então, foi muito bacana o reconhecimento do nosso trabalho, que por extensão premia a historiografia brasileira”.
O livro estuda não só o tráfico transatlântico, como a política imperial britânica de repressão ao mesmo, a escravidão no Brasil e na África, entre outros temas correlatos. O personagem principal caminha por todas essas macro-estruturas, às vezes em posições distintas – foi escravo e traficante de escravos, por exemplo.
Há muitos anos, os autores tiveram a ideia do livro – escrito nos intervalos de outras pesquisas. Certo dia, Flávio Gomes convidou João José Reis p
ara escrever a respeito de um negro muçulmano preso no Recife, em 1853, por suposto envolvimento numa conspiração escrava. O inquérito tinha sido encontrado por Flávio no Arquivo Nacional. No documento, Rufino contava sua história desde a escravização na África até sua prisão,
cerca de três décadas depois, no Recife. Marcus Carvalho foi convidado para participar do projeto, cobrindo as pesquisas em Pernambuco, enquanto Flávio fazia do Rio de Janeiro, e João José, de Salvador.“Em 2008, passei quatro meses no National Humanities Center (EUA) me dedicando exclusivamente ao livro. Em menos de dois anos ele ficou pronto”, lembra João José.
Além deles, a antropóloga Heloísa Pontes ganhou menção honrosa com a obra “Intérpretes da metrópole. História social e relações de gênero no teatro e no campo intelectual (1940-1968)”. O livro busca compreender como São Paulo se tornou um moderno polo do teatro brasileiro entre as décadas de 1940 e 1960. Também recebeu menção honrosa o livro "Os cangaceiros: ensaio de interpretação histórica", do historiador Luís Bernardo Pericás, que analisa as bases históricas e a atuação dos grupos do cangaço.
















































































Medeiros Braga
11/2/2012Parabéns pelo trabalho de resgate de uma história que precisa ser conhecida por gerações. A propósito de escravismo envio de minha autoria, o meu trabalho sobre a luta de Nelson Mandela: NELSON MANDELA A LUTA CONTRA O APARTHEID Em Cordel “São os guerreiros ousados/ Que com tigres mosqueados/ Combatem na solidão./ Homens simples, fortes, bravos,/ Hoje míseros escravos/ Sem lar, sem luz, sem razão.”/ Castro Alves/ Apartheid foi um sistema/ Implantado com rigor/ Por toda África do Sul/ Pelo colonizador/ Que invadiu o país/ Africano e impingiu/ A um povo o seu terror./ Apesar do comunismo/ Primitivo ter caído,/ Bem como, do escravismo/ Há milênios ter surgido,/ Só no século vinte, o mal/ Dessa chaga oficial/ Foi por lei instituído. / Mas, foi pelo século quinze/ Que o branco apareceu/ Trazendo todo egoísmo/ Do continente europeu.../ Chegou já como invasor/ Com um tal navegador/ De nome Bartolomeu. / Era o Bartolomeu Dias,/ Navegador português/ Que nos mares penetrando/ Com tamanha intrepidez/ Dobrou, por sua fiança,/ O Cabo da Boa Esperança/ Chegando ali de uma vez./ Logo nos anos seguintes Se dariam as invasões, Dos brancos e mercenários Com seus fuzis e canhões... Eram ingleses, franceses, Alemães e Holandeses Ocupando essas nações. Em mil seiscentos e cinqüenta E dois, os ocidentais Conhecidos como bôeres, Ou produtores rurais, Vêm ao Cabo, com proeza, Na Companhia Holandesa Das Índias Orientais. Do caminho à Indonésia Era o Cabo sua escala, Residia um povo livre Sem corrente e sem senzala, Mas, um dia aconteceu Do invasor europeu Inverter tudo na bala. 02 Porém, foi o holandês Como invasor inclemente, O primeiro a penetrar Pelo sul do Continente Africano e uma colônia Implantar sem cerimônia Aos direitos de uma gente. Com o passar dos tempos Puderam seus descendentes Impingir as suas leis, Seus costumes diferentes E tornar os africanos, Pelos seus atos insanos, Totalmente dependentes. Então essa dependência Na prática foi se firmando, Mesmo sendo maioria Os africanos em bando Reagia aos invasores Mas, diante dos temores Iam perdendo o comando. Até que no século vinte Em quarenta e oito, o ano, É a lei do apartheid Em Congresso tão insano Aprovada ao dissabor, Ao massacre e amargor Do povo sul-africano. Só havia até ali A dita segregação, Em africano, apartheid, Que é a separação Como regra entre raças, Dos deveres dessas massas, Dos direitos do patrão. O que difere o aparteid É que agora era lei, Os brancos com seus poderes Sendo cada igual a rei Governava a minoria Que impunha a tirania Cruel sobre a frágil grei. Que era a lei do Apartheid? Era a lei que excluía As pessoas africanas Da mais simples garantia; Dos que perdiam o direito Naquilo que diz respeito À política e economia. As elites dominantes Chegariam à conclusão: Ou o curso da igualdade Ou o da segregação, Mas, o curso da igualdade Para os brancos, na verdade, Era um suicídio, então. Pela África do Sul Já por mil e novecentos E dez, os ingleses vinham Com seus atos truculentos Impor ao povo, de vez, O seu idioma inglês Como língua em andamento. Por esse tempo na África Já não tinha o povo mais O direito de votar, Nem votado ser jamais, Perdendo ainda, em alardes, Direito a propriedades Quer urbanas ou rurais. Havia bairros de branco Luxuosos, bem cuidados, E ali somente eles Caminhavam nos gramados Proibidos, só por isso, Negros iam a serviço Assim mesmo autorizados. Havia escolas pra brancos E para negros também, O ensino para estes Não podia ir além De formar a mão de obra Só braçal mesmo com sobra Na feitura de um bem. O Apartheid definia Por sua lei de opressor, Negro, mestiço, indiano Como sendo inferior, Daí então segregava Quase tudo que se usava Entre os brancos e de cor. Onde um branco residisse Não podia ele morar, Africana só podia Com africano casar, Era a escola separada Com lição apropriada Para a criança estudar. Proibiu-se casamentos Entre raças diferentes, O uso de lotação Quando de brancos somente, Sentar em bancos de praça Ou pensar unir a raça Para ser independente. Também, proibido estava O direito de pensar, De agir com consciência Ou de livre se expressar. De escrever sobre a lousa Ou de fazer qualquer coisa Que pudesse incomodar. O direito de ir e vir Que lhes era natural, Daquela prática tão boa Que vinha do ancestral Foi com outros abolido E que se fosse exercido Seu autor se dava mal. Qualquer ação que importasse Em riqueza ou em poder Eram negros proibidos De qualquer coisa fazer... Só havia a permissão Que era a de, na missão, Trabalhar e obedecer. Alguns nativos que eram De outra religião Foram todos obrigados A fazer a conversão Para o cristianismo Se livrando do abismo De ser ateu ou pagão. Naquele ano o Partido Reunido Nacional, Do nacionalismo africânder Tido como o principal, Com Daniel François O poder veio a ganhar Em uma eleição geral. E um dos seus compromissos Conservador, radical Era aumentar com rigor A segregação racial, Fazer com disposição A maior separação Ante um povo desigual. Dizia seu manifesto Que da tal segregação A doutrina se baseia Pelo princípio cristão Que reconhece a postura Duma raça branca, pura, Com total superação. Cerca de trezentas leis Foram todas aprovadas, Todas as segregações Para o Congresso enviadas, Pra sua legalidade, Tiveram unanimidade E defesas orquestradas. A proteção do apartheid Externou-se com ciência Ao reprimir com rigor As ações de resistência Através da agitação, Panfletos, divulgação De protesto em evidência. Houve forte repressão Ao Partido Comunista E às organizações De caráter pacifista Que o poder considerasse Como inimiga de classe Por sua luta ativista. E qualquer manifestante Que fosse surpreendido Pregando contra o regime Deveria ser punido Pelos seus atos em vista Igualmente ao comunista Que será morto ou banido. Ante esse clima nefasto De tanta arbitrariedade, De massacre, humilhação, De falta de liberdade, Várias manifestações Mesmo com tais repressões, Vinham da sociedade. Primeiro foi o Congresso Nacional Africano Que combatendo o apartheid Desafiou o tirano Ao contestar, realista, De maneira pacifista O seu ato desumano. Desse feito, oito mil E quinhentos militantes Presos foram e castigados Pelos seus atenuantes. Repressão que se dizia Pra por fim a anarquia Que se fez ali reinante. Albert Lutuli foi O líder do movimento De resistência pacífica Que tinha como fomento Fazer essa agitação Para chamar a atenção Do governo e parlamento. Foram muitos os protestos, Muitas as rebeliões, Muitas mortes pelas ruas Muitas dores nas prisões. Porém, quanto mais sofria Mas, o povo ressurgia Dentro das insurreições. O CNA já tinha Quarenta anos de luta Marcada por repressão Durante cada disputa. Sempre acabava, malgradas, Com prisões abarrotadas E a punição sempre bruta. O maior desses protestos E que ficou na história Foi a tragédia, o massacre De Sharpeville, sem glória, Onde se matara à toa Sessenta e nove pessoas, Uma barbárie notória. Um coronel da polícia Procurou justificar: “Cercaram a delegacia, Procuraram intimidar... Se tornam a coisa incrível A lição mesmo é difícil, Mas que precisam tomar. O líder Nelson Mandela De pronto se rebelou Chegando a reconhecer Que o pacifismo falhou; Que agora a sabotagem Era a única roupagem Ante a fúria do opressor. Foi criado um movimento O “Lanceiro da Nação”, Uma ala militar Do CNA em ação Onde áreas do poder Passariam a conhecer Dos negros, a reação. E quem foi Nelson Mandela? Foi um grande lutador. Foi o brado do excluído, O arauto que botou Uma pedra no caminho Pra deixar em desalinho Os passos do opressor. Nasceu em dezoito de julho Lá por mil e novecentos E dezoito quando a África Era toda sofrimento, Após Castro Alves em “Vozes” Denunciar seus algozes Com seus atos de tormento. Era o Nelson Mandela Arauto da liberdade, Compromisso duma luta Em favor da humanidade, Para isso foi guerreiro E depois um guerrilheiro Vendo a realidade. Sonhava com a liberdade Para o povo e o país. Como um Ghandi, pacifista, Acreditava feliz Que o branco estancaria Para a imensa maioria Com sua força motriz. O Massacre de Sharpeville Com sessenta e nove mortes, Cento e oitenta feridos E milhares sem coortes, Levaram Nelson Mandela A buscar a passarela Realista, com mais sorte. Estudante de direito Comprou do povo essa briga, Participa, então, da Carta Da Liberdade e da Liga, E em frente quando sai É sempre contra o Apartheid Sem receio e sem fadiga. Pelas suas posições, Sua luta, a liberdade, O poder o expulsou Daquela universidade, Já tem o governo em vista Como sendo um terrorista Com histórias de igualdade. Foi a vida de Mandela Cheia de atribuições, Educando revoltosos, Promovendo insurreições, Porém, sempre com prudência Pregando a não-violência, Sem fuzis e sem canhões. Pregou a não-violência Como Ghandi, passo a passo, Até o dia histórico Que foi vinte e um de março, De sessenta e um, então, Quando tombados ao chão Seus irmãos viu por balaço. Chamada de sabotagem Sua estratégia de paz, Ele achando que falhara E também ineficaz, Mudou para a luta armada Com arma nova e pesada, Nos combates, mais capaz. Para apoiar essa luta Funda o Lança da Nação, Torna-se um braço armado, Comandante em operação, E convoca a combater Pra tomada do poder Por uma revolução. Ele esteve na Argélia Em treinos para a guerrilha Ele e outros companheiros Que seguiam a mesma trilha. Preparavam-se pra guerra Na prática e no que descerra Nas lições duma cartilha. Tudo que ele aprendeu Pela universidade, Procurava repassar Com sua simplicidade. Eram os ensinamentos, Valores, conhecimentos Do mundo, a realidade. Tentando o povo acordar Do pesadelo profundo, Nelson Mandela apontava Em detalhes, indo a fundo, Como se fosse um alarma, “A educação como arma Para mudança do mundo”. Transcorria, assim, a luta Entre tiros e lição, O antigo alienado Era agora um cidadão Que pegando consciente O fuzil seguia em frente Tocando a revolução. Após grande atuação Quase sempre de vitória, Com um ano de guerrilha Combatendo tal escória Em sessenta e dois, malgrado, Mandela é capturado Mas, já dentro da história. Dali mesmo da prisão Constata sua liderança, As ordens de prosseguirem Na luta com segurança, Ao ser feitas, transmitia Mais fiança e energia, Mais força, mais esperança. Diante de um tribunal Tão suspeito e tão corrupto Veio a ser Nelson Mandela Condenado a um tributo De cinco anos de pena Naquela nefasta arena, Naquele presídio bruto. Cinco anos de prisão Por haver Nelson Mandela Participado de greves Radicais e sem cautela, E sem autorização Para viagens, então, Junto a sua parentela. Mesmo ante a reação Do povo e dos guerrilheiros Resolveu o tribunal Fazer com seus escudeiros Outro júri em nova régua Levando à prisão perpétua Como querem seus pilheiros. Discutiram esses juízes Durante o seu julgamento Na condenação possível Até de enforcamento, Mas o medo eventual Da reação mundial Demoveram desse intento. Mas, Mandela na prisão Se torna mais perigoso, Por conta disso oferecem Num disfarce generoso Tirar da pena uma parte Caso parem seu combate Que já era poderoso. O poder desmoronava E por isso o opressor Libertar quis o Mandela, Porém, condicionou: Não incentivar em nada Mais aquela luta armada No que ele não aceitou. Da prisão Nelson Mandela Mandava suas mensagens: Unam-se, Mobilizem-se, Lutem em todas paragens. Entre a bigorna e o martelo Esmaguemos todo o elo Do Apartheid, as imagens. O povo sul-africano Observava na tela O clamor de todo mundo Que diante da esparrela De um governo tirano Externasse o verbo humano: “Libertem Nelson Mandela”. Até que no dia onze De fevereiro de mil, Novecentos e noventa, Rompendo com o covil, O poder é transformado E Mandela libertado Com seu direito civil. Frederik Willem de Klerk Levado pela pressão, E estando no poder Como alguém de transição Que abria uma cancela, Anunciou de Mandela A sua libertação. Já com vinte e sete anos Como um presidiário É Mandela libertado Sendo já septenário, Com menos tempo a correr No que faz leva o prazer Do revolucionário. Quando Mandela foi posto De uma vez em liberdade Tinha ele já em vida Setenta e dois de idade, Mesmo assim não se deteve A vontade e o tempo teve De voltar-se à humanidade. Ele foi no seu país Já tornado independente Com a garra e os ideais Que carregou pela frente, Por processo eleitoral Democrático e real, O primeiro presidente. O povo sul-africano Em primeira vez votou, Pois, antes somente o branco Podia ser eleitor, Agora o povo maduro Foi às urnas e o futuro No seu nome consagrou. Aclamado nos países, Amado pelo seu povo Recebeu Nelson Mandela No velho mundo e no novo As mais várias saudações E comendas das nações Pra compensar todo estorvo. Recebeu dos leninistas O Prêmio Lenin da Paz, E também o Prêmio Nobel Da Paz que foi dado a mais Frederik, o presidente Que o libertou, evidente, Bem a pouco tempo atrás. Escreveu Nelson Mandela, Quase sempre na prisão, “A LUTA DA MINHA VIDA”, ”VENCER É POSSÍVEL” e então, “CONVERSAS QUE TIVE COMIGO” Além de poesia e artigo Sobre a revolução. Nelson Mandela tem hoje Noventa e três de idade, Tem nos direitos humanos Uma intensa atividade, Também põe sua atenção Sobre a organização De toda sociedade. Eis, então mais um cordel De um titã da humanidade Que provocou o verdugo Sem temer sua atrocidade; Que deixou melhor labuta Para dedicar-se à luta Das causas da Liberdade.
Medeiros Braga
11/2/2012Parabéns pelo trabalho de resgate de uma história que precisa ser conhecida por gerações. A propósito de escravismo envio de minha autoria, o meu trabalho sobre a luta de Nelson Mandela: NELSON MANDELA A LUTA CONTRA O APARTHEID Em Cordel “São os guerreiros ousados/ Que com tigres mosqueados/ Combatem na solidão./ Homens simples, fortes, bravos,/ Hoje míseros escravos/ Sem lar, sem luz, sem razão.”/ Castro Alves/ Apartheid foi um sistema/ Implantado com rigor/ Por toda África do Sul/ Pelo colonizador/ Que invadiu o país/ Africano e impingiu/ A um povo o seu terror./ Apesar do comunismo/ Primitivo ter caído,/ Bem como, do escravismo/ Há milênios ter surgido,/ Só no século vinte, o mal/ Dessa chaga oficial/ Foi por lei instituído. / Mas, foi pelo século quinze/ Que o branco apareceu/ Trazendo todo egoísmo/ Do continente europeu.../ Chegou já como invasor/ Com um tal navegador/ De nome Bartolomeu. / Era o Bartolomeu Dias,/ Navegador português/ Que nos mares penetrando/ Com tamanha intrepidez/ Dobrou, por sua fiança,/ O Cabo da Boa Esperança/ Chegando ali de uma vez./ Logo nos anos seguintes Se dariam as invasões, Dos brancos e mercenários Com seus fuzis e canhões... Eram ingleses, franceses, Alemães e Holandeses Ocupando essas nações. Em mil seiscentos e cinqüenta E dois, os ocidentais Conhecidos como bôeres, Ou produtores rurais, Vêm ao Cabo, com proeza, Na Companhia Holandesa Das Índias Orientais. Do caminho à Indonésia Era o Cabo sua escala, Residia um povo livre Sem corrente e sem senzala, Mas, um dia aconteceu Do invasor europeu Inverter tudo na bala. 02 Porém, foi o holandês Como invasor inclemente, O primeiro a penetrar Pelo sul do Continente Africano e uma colônia Implantar sem cerimônia Aos direitos de uma gente. Com o passar dos tempos Puderam seus descendentes Impingir as suas leis, Seus costumes diferentes E tornar os africanos, Pelos seus atos insanos, Totalmente dependentes. Então essa dependência Na prática foi se firmando, Mesmo sendo maioria Os africanos em bando Reagia aos invasores Mas, diante dos temores Iam perdendo o comando. Até que no século vinte Em quarenta e oito, o ano, É a lei do apartheid Em Congresso tão insano Aprovada ao dissabor, Ao massacre e amargor Do povo sul-africano. Só havia até ali A dita segregação, Em africano, apartheid, Que é a separação Como regra entre raças, Dos deveres dessas massas, Dos direitos do patrão. O que difere o aparteid É que agora era lei, Os brancos com seus poderes Sendo cada igual a rei Governava a minoria Que impunha a tirania Cruel sobre a frágil grei. Que era a lei do Apartheid? Era a lei que excluía As pessoas africanas Da mais simples garantia; Dos que perdiam o direito Naquilo que diz respeito À política e economia. As elites dominantes Chegariam à conclusão: Ou o curso da igualdade Ou o da segregação, Mas, o curso da igualdade Para os brancos, na verdade, Era um suicídio, então. Pela África do Sul Já por mil e novecentos E dez, os ingleses vinham Com seus atos truculentos Impor ao povo, de vez, O seu idioma inglês Como língua em andamento. Por esse tempo na África Já não tinha o povo mais O direito de votar, Nem votado ser jamais, Perdendo ainda, em alardes, Direito a propriedades Quer urbanas ou rurais. Havia bairros de branco Luxuosos, bem cuidados, E ali somente eles Caminhavam nos gramados Proibidos, só por isso, Negros iam a serviço Assim mesmo autorizados. Havia escolas pra brancos E para negros também, O ensino para estes Não podia ir além De formar a mão de obra Só braçal mesmo com sobra Na feitura de um bem. O Apartheid definia Por sua lei de opressor, Negro, mestiço, indiano Como sendo inferior, Daí então segregava Quase tudo que se usava Entre os brancos e de cor. Onde um branco residisse Não podia ele morar, Africana só podia Com africano casar, Era a escola separada Com lição apropriada Para a criança estudar. Proibiu-se casamentos Entre raças diferentes, O uso de lotação Quando de brancos somente, Sentar em bancos de praça Ou pensar unir a raça Para ser independente. Também, proibido estava O direito de pensar, De agir com consciência Ou de livre se expressar. De escrever sobre a lousa Ou de fazer qualquer coisa Que pudesse incomodar. O direito de ir e vir Que lhes era natural, Daquela prática tão boa Que vinha do ancestral Foi com outros abolido E que se fosse exercido Seu autor se dava mal. Qualquer ação que importasse Em riqueza ou em poder Eram negros proibidos De qualquer coisa fazer... Só havia a permissão Que era a de, na missão, Trabalhar e obedecer. Alguns nativos que eram De outra religião Foram todos obrigados A fazer a conversão Para o cristianismo Se livrando do abismo De ser ateu ou pagão. Naquele ano o Partido Reunido Nacional, Do nacionalismo africânder Tido como o principal, Com Daniel François O poder veio a ganhar Em uma eleição geral. E um dos seus compromissos Conservador, radical Era aumentar com rigor A segregação racial, Fazer com disposição A maior separação Ante um povo desigual. Dizia seu manifesto Que da tal segregação A doutrina se baseia Pelo princípio cristão Que reconhece a postura Duma raça branca, pura, Com total superação. Cerca de trezentas leis Foram todas aprovadas, Todas as segregações Para o Congresso enviadas, Pra sua legalidade, Tiveram unanimidade E defesas orquestradas. A proteção do apartheid Externou-se com ciência Ao reprimir com rigor As ações de resistência Através da agitação, Panfletos, divulgação De protesto em evidência. Houve forte repressão Ao Partido Comunista E às organizações De caráter pacifista Que o poder considerasse Como inimiga de classe Por sua luta ativista. E qualquer manifestante Que fosse surpreendido Pregando contra o regime Deveria ser punido Pelos seus atos em vista Igualmente ao comunista Que será morto ou banido. Ante esse clima nefasto De tanta arbitrariedade, De massacre, humilhação, De falta de liberdade, Várias manifestações Mesmo com tais repressões, Vinham da sociedade. Primeiro foi o Congresso Nacional Africano Que combatendo o apartheid Desafiou o tirano Ao contestar, realista, De maneira pacifista O seu ato desumano. Desse feito, oito mil E quinhentos militantes Presos foram e castigados Pelos seus atenuantes. Repressão que se dizia Pra por fim a anarquia Que se fez ali reinante. Albert Lutuli foi O líder do movimento De resistência pacífica Que tinha como fomento Fazer essa agitação Para chamar a atenção Do governo e parlamento. Foram muitos os protestos, Muitas as rebeliões, Muitas mortes pelas ruas Muitas dores nas prisões. Porém, quanto mais sofria Mas, o povo ressurgia Dentro das insurreições. O CNA já tinha Quarenta anos de luta Marcada por repressão Durante cada disputa. Sempre acabava, malgradas, Com prisões abarrotadas E a punição sempre bruta. O maior desses protestos E que ficou na história Foi a tragédia, o massacre De Sharpeville, sem glória, Onde se matara à toa Sessenta e nove pessoas, Uma barbárie notória. Um coronel da polícia Procurou justificar: “Cercaram a delegacia, Procuraram intimidar... Se tornam a coisa incrível A lição mesmo é difícil, Mas que precisam tomar. O líder Nelson Mandela De pronto se rebelou Chegando a reconhecer Que o pacifismo falhou; Que agora a sabotagem Era a única roupagem Ante a fúria do opressor. Foi criado um movimento O “Lanceiro da Nação”, Uma ala militar Do CNA em ação Onde áreas do poder Passariam a conhecer Dos negros, a reação. E quem foi Nelson Mandela? Foi um grande lutador. Foi o brado do excluído, O arauto que botou Uma pedra no caminho Pra deixar em desalinho Os passos do opressor. Nasceu em dezoito de julho Lá por mil e novecentos E dezoito quando a África Era toda sofrimento, Após Castro Alves em “Vozes” Denunciar seus algozes Com seus atos de tormento. Era o Nelson Mandela Arauto da liberdade, Compromisso duma luta Em favor da humanidade, Para isso foi guerreiro E depois um guerrilheiro Vendo a realidade. Sonhava com a liberdade Para o povo e o país. Como um Ghandi, pacifista, Acreditava feliz Que o branco estancaria Para a imensa maioria Com sua força motriz. O Massacre de Sharpeville Com sessenta e nove mortes, Cento e oitenta feridos E milhares sem coortes, Levaram Nelson Mandela A buscar a passarela Realista, com mais sorte. Estudante de direito Comprou do povo essa briga, Participa, então, da Carta Da Liberdade e da Liga, E em frente quando sai É sempre contra o Apartheid Sem receio e sem fadiga. Pelas suas posições, Sua luta, a liberdade, O poder o expulsou Daquela universidade, Já tem o governo em vista Como sendo um terrorista Com histórias de igualdade. Foi a vida de Mandela Cheia de atribuições, Educando revoltosos, Promovendo insurreições, Porém, sempre com prudência Pregando a não-violência, Sem fuzis e sem canhões. Pregou a não-violência Como Ghandi, passo a passo, Até o dia histórico Que foi vinte e um de março, De sessenta e um, então, Quando tombados ao chão Seus irmãos viu por balaço. Chamada de sabotagem Sua estratégia de paz, Ele achando que falhara E também ineficaz, Mudou para a luta armada Com arma nova e pesada, Nos combates, mais capaz. Para apoiar essa luta Funda o Lança da Nação, Torna-se um braço armado, Comandante em operação, E convoca a combater Pra tomada do poder Por uma revolução. Ele esteve na Argélia Em treinos para a guerrilha Ele e outros companheiros Que seguiam a mesma trilha. Preparavam-se pra guerra Na prática e no que descerra Nas lições duma cartilha. Tudo que ele aprendeu Pela universidade, Procurava repassar Com sua simplicidade. Eram os ensinamentos, Valores, conhecimentos Do mundo, a realidade. Tentando o povo acordar Do pesadelo profundo, Nelson Mandela apontava Em detalhes, indo a fundo, Como se fosse um alarma, “A educação como arma Para mudança do mundo”. Transcorria, assim, a luta Entre tiros e lição, O antigo alienado Era agora um cidadão Que pegando consciente O fuzil seguia em frente Tocando a revolução. Após grande atuação Quase sempre de vitória, Com um ano de guerrilha Combatendo tal escória Em sessenta e dois, malgrado, Mandela é capturado Mas, já dentro da história. Dali mesmo da prisão Constata sua liderança, As ordens de prosseguirem Na luta com segurança, Ao ser feitas, transmitia Mais fiança e energia, Mais força, mais esperança. Diante de um tribunal Tão suspeito e tão corrupto Veio a ser Nelson Mandela Condenado a um tributo De cinco anos de pena Naquela nefasta arena, Naquele presídio bruto. Cinco anos de prisão Por haver Nelson Mandela Participado de greves Radicais e sem cautela, E sem autorização Para viagens, então, Junto a sua parentela. Mesmo ante a reação Do povo e dos guerrilheiros Resolveu o tribunal Fazer com seus escudeiros Outro júri em nova régua Levando à prisão perpétua Como querem seus pilheiros. Discutiram esses juízes Durante o seu julgamento Na condenação possível Até de enforcamento, Mas o medo eventual Da reação mundial Demoveram desse intento. Mas, Mandela na prisão Se torna mais perigoso, Por conta disso oferecem Num disfarce generoso Tirar da pena uma parte Caso parem seu combate Que já era poderoso. O poder desmoronava E por isso o opressor Libertar quis o Mandela, Porém, condicionou: Não incentivar em nada Mais aquela luta armada No que ele não aceitou. Da prisão Nelson Mandela Mandava suas mensagens: Unam-se, Mobilizem-se, Lutem em todas paragens. Entre a bigorna e o martelo Esmaguemos todo o elo Do Apartheid, as imagens. O povo sul-africano Observava na tela O clamor de todo mundo Que diante da esparrela De um governo tirano Externasse o verbo humano: “Libertem Nelson Mandela”. Até que no dia onze De fevereiro de mil, Novecentos e noventa, Rompendo com o covil, O poder é transformado E Mandela libertado Com seu direito civil. Frederik Willem de Klerk Levado pela pressão, E estando no poder Como alguém de transição Que abria uma cancela, Anunciou de Mandela A sua libertação. Já com vinte e sete anos Como um presidiário É Mandela libertado Sendo já septenário, Com menos tempo a correr No que faz leva o prazer Do revolucionário. Quando Mandela foi posto De uma vez em liberdade Tinha ele já em vida Setenta e dois de idade, Mesmo assim não se deteve A vontade e o tempo teve De voltar-se à humanidade. Ele foi no seu país Já tornado independente Com a garra e os ideais Que carregou pela frente, Por processo eleitoral Democrático e real, O primeiro presidente. O povo sul-africano Em primeira vez votou, Pois, antes somente o branco Podia ser eleitor, Agora o povo maduro Foi às urnas e o futuro No seu nome consagrou. Aclamado nos países, Amado pelo seu povo Recebeu Nelson Mandela No velho mundo e no novo As mais várias saudações E comendas das nações Pra compensar todo estorvo. Recebeu dos leninistas O Prêmio Lenin da Paz, E também o Prêmio Nobel Da Paz que foi dado a mais Frederik, o presidente Que o libertou, evidente, Bem a pouco tempo atrás. Escreveu Nelson Mandela, Quase sempre na prisão, “A LUTA DA MINHA VIDA”, ”VENCER É POSSÍVEL” e então, “CONVERSAS QUE TIVE COMIGO” Além de poesia e artigo Sobre a revolução. Nelson Mandela tem hoje Noventa e três de idade, Tem nos direitos humanos Uma intensa atividade, Também põe sua atenção Sobre a organização De toda sociedade. Eis, então mais um cordel De um titã da humanidade Que provocou o verdugo Sem temer sua atrocidade; Que deixou melhor labuta Para dedicar-se à luta Das causas da Liberdade.