Tarsila em detalhes

CCBB do Rio de Janeiro organiza grande exposição de Tarsila do Amaral após mais de 40 anos sem uma mostra individual da artista em solo carioca

  • Abaporu, uma de suas obras mais conhecidas e ícone do modernismo brasileiroCerca de 80 obras de Tarsila do Amaral presentes no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, marcam o fim de um jejum de 43 anos sem uma mostra individual da célebre artista do modernismo. A exposição “Percurso afetivo” conta com pinturas, desenhos, objetos e raras gravuras, da única série oficialmente de Tarsila.

    O evento foi organizado a partir da descoberta do seu diário de viagens, uma preciosidade encontrada no acervo da família. O documento permite uma viagem nos aspectos mais particulares de Tarsila do Amaral. Por isso, foi reunido o maior número possível de imagens que permitem ao visitante fazer um percurso emocional e afetivo na vida e obra da “caipirinha vestida por Poiret”, como a definia o escritor e marido Oswald de Andrade.

    “Para esta mostra não consideramos os períodos habitualmente identificados em sua obra (Pau-Brasil, Antropofágico e Social). O enfoque dado, em primeiro lugar, foi intimista; depois, temático e, quando possível, cronológico. Há um proposital e aparente caos, planejado para que o visitante possa sentir-se mais próximo da vida da artista e admire as obras individualmente, livres de classificações mais rígidas”, explica Antonio Carlos Abdalla, curador da mostra, que também tem Tarsilinha do Amaral (sobrinha-neta de Tarsila) como curadora pela família da artista.

    Quarta mostra carioca

    Tarsila teve três mostras individuais no Rio de Janeiro: em 1929 e 1933, no Palace Hotel, e em 1969, no Museu de Arte Moderna. Grande número das obras presentes nessas mostras esta agora no CCBB. Entre elas estão “Carnaval em Madureira” (1924), “Manacá” (1927), “Morro da favela” (1924) e “Antropofagia” (onde duas das obras emblemáticas da artista se entrelaçam – “A Negra” e o “Abapuru”, de 1929).

     “A Negra”, inclusive, deve surpreender os visitantes: os curadores finalizaram a exposição com a segunda versão da obra, que a artista deixou inacabada. A ideia é sugerir inúmeras possibilidades de interpretação da obra fundamental de Tarsila do Amaral, que permanece, assim, em aberto. A exposição pode ser vista até o dia 29 de abril, de terça-feira a domingo, das 9h às 21h. A entrada é franca.

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