A arte da cura

Museu da História da Medicina no RS inicia o ano sob nova direção

Adriano Belisário

  • Acomodado na maca, o paciente aguarda o médico preparar a anestesia. Porém, ao invés de uma injeção, o doutor aplica uma máscara de ferro com clorofórmio e inicia a cirurgia. A cena que poderia causar espanto hoje era comum até meados do século passado. O Museu da História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM) guarda esta e outras relíquias da arte da cura entre seu acervo de dez mil peças, entre objetos, documentos e livros.

    O espaço inicia o ano sob nova direção. O historiador Éverton Quevedo assumiu o comando do Museu em dezembro e já tem planos para sua gestão. “Pretendemos continuar investindo em nossas exposições itinerantes que circulam o interior do Rio Grande do Sul. Também pretendemos abrir para pesquisa a documentação histórica da Beneficência Portuguesa de Porto Alegre, que está passando por processo de organização e é inédita”, afirma.

    Além da máscara de Ombredanne, destacam-se objetos como a escarradeira e o phanton, um equipamento utilizado no início do século XIX para lições sobre técnicas de parto. Entre o acervo, há ainda ventosas de bomba, instrumento utilizado para sucção de "sangue contaminado", de acordo com a teoria dos humores. Influente até as pesquisas médicas modernas, esta concepção postulava que as doenças nada mais eram que o desequilíbrio entre algumas substâncias básicas, entre elas o sangue. A remoção deste poderia, portanto, restaurar uma proporção saudável dos elementos internos.

    “O Museu procura articular as diferentes concepções que se tem da doença. Em exposições passadas, trabalhamos questões relacionadas a crenças populares (benzedeiras) e a medicina ‘oficial’. Atualmente, o visitante pode conferir os processos da medicina ‘de ontem’ e a que temos na atualidade, como cada época cuidava dos males do corpo”, comenta Éverton. Além de exposições, o Museu também abriga palestras diversas sobre temas como AIDS, vacinação, psiquiatria, orientação sexual, entre outros.

    O MUHM é mantido apenas pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul e desponta como um dos maiores espaços de memória da medicina no Brasil. Está nos planos da nova direção a construção de uma “rede que congregue todas as instituições deste gênero, uma espécie de sistema”, segundo o novo diretor. Através de leis de incentivo, ele pretende ainda conseguir apoio governamental para ampliar o espaço do Museu.

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