História invisível

Pelas esquinas de Diamantina, lendas urbanas – ou não – ainda vivem na memória do povo

Alice Melo e Felipe Sáles


  • Nascimento da árvore 'provou' o autor de um assassinato que abalou a cidadeFoi numa tarde de 1970. Os tesouros nas montanhas de Diamantina estavam cada vez mais escassos, mas nada que abalasse a esperança do povo que se embrenhava por dias no meio da floresta. Enquanto isso, na cidade, a comunidade seguia a rotina.

    A Prefeitura de Diamantina, por exemplo, ao mandar rebaixar uma rua, teve de mexer no muro de uma casa próxima à estátua de Juscelino Kubitschek, no Centro, conhecido ponto de encontro de seresteiros da região.

    Até que numa martelada bem dada, um dos operários da prefeitura derrubou um baú cheio de ouro e pedras preciosas que ficou escondido, durante séculos, no muro da residência. Histórias como esta são contadas em cada esquina, já que era muito comum os garimpeiros esconderem seus pertences pela região antes de viajarem. Numa dessas, o rico viajante morre no caminho, para a felicidade de um sortudo dezenas ou centenas de anos depois.

     

    Árvore  da morte

    Outra história diz respeito a uma insuspeita árvore em frente ao Teatro Santa Isabel, no Centro da cidade – que, conta o povo, teria provado a culpa de um assassinato na região ao concretizar a profecia de que "algo vivo nasceria sobre um objeto construído pelo matador".

    O objeto, no caso, era uma cruz, que pode ser vista até hoje. O malfeitor, certa vez, teria incendiado o atestado do crime, mas a árvore não deixou dúvidas: nasceu de novo. 

     

    A visita da noiva

    Em toda cidade que se preze, também não podem faltar lendas envolvendo noivas. Em Diamantina, o causo aconteceu na Irmandade São Francisco de Assis. A moça chegou para o casamento e, desde então, passou o resto dos dias esperando o noivo chegar. Pouco tempo depois, acabou morrendo de tuberculose. Foi enterrada justamente no cemitério ao lado da igreja que, em vez de selar o casamento, definiu seu triste destino.

    Foi suficiente para o povo “ver” a noiva assombrando a igreja e a vizinhança até hoje. Dia desses, por exemplo, José Paulo da Cruz – administrador da Irmandade – estava sentado nas escadarias proseando com um amigo, até que, de repente, surgiu em sua frente uma noiva “igualzinho a da lenda” perguntando:

    “Vocês não viram ninguém me procurando aí, não?”.

    Pronto. Seu Zé ficou mais branco do que o vestido da moça e, antes de ser capaz de respondê-la – ou de sair correndo –, foi salvo por um homem do outro lado da rua. Era o diretor de um filme que estava sendo feito em Diamantina e procurava justamente pela protagonista nubente. A história, claro, não o fez acreditar mais – ou menos – em assombração, mas a associação imediata da atriz com a noiva fantasma provou, isso sim, que as lendas continuam bem vivas na memória do povo.

     

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