Depois de Hitler, Zumbi dos Palmares e a Imperatriz Leopoldina, o, digamos, revisionismo sexual de grandes personagens da História atingiu o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva. O problema é que a “descoberta” do juiz aposentado Pedro de Morais, autor do livro “Lampião, o mata sete” – no qual afirma que o líder do cangaço era homossexual –, nem novidade é, mas se alastrou feito rastilho de pólvora nos megabytes do mundo moderno. O historiador Antônio Amaury, que dedicou nada menos que 63 anos ao estudo do cangaço, inclusive entrevistando vários membros da tropa de Lampião, é categórico: “isso nunca foi sequer cogitado por todos que conheceram e conviveram com Lampião. Portanto, levantar essa difamação foi apenas uma forma desse juiz aparecer”.Se era esta a intenção (ou apenas difamar o mito), o ex-juiz conseguiu. Uma pesquisa no Google com os termos “Lampião” e “gay” remete a mais de 200 mil resultados, enquanto “Lampião” e “Pedro de Morais” respondem a mais de 40 mil links. Repercussão que, como de praxe nesses casos, ganhou força mesmo após a Justiça proibir o lançamento da obra, a pedido dos parentes do cangaceiro. Pedro de Morais acredita que a decisão será revertida em breve, já que tudo se trata de uma confusão de... sinônimos.
“O próprio juiz, na sentença, afirma que não leu o livro”, argumenta Pedro. “Ele se baseou na manchete de um jornal popularesco, que chamou Lampião de boiola e Maria Bonita de adúltera. Mas em momento algum eu usei esses termos... Depois que ele ler o livro, não haverá problema algum. Tudo o que eu disse está relatado por vários autores. Eu apenas tive a coragem de expor sem meias palavras”.
Fatos controversos
Para sustentar a versão, Pedro de Morais usa como exemplo até fóruns públicos do site Yahoo, onde “todo mundo sabe da homossexualidade de Lampião”.
“Você há de convir que obter prova material de homossexualidade seja difícil. Mas este era um fato amplamente sabido por vários estudiosos”, garante Pedro, citando como exemplo o professor Luiz Mott, doutor em antropologia e fundador do Grupo Gay da Bahia. A tese de Mott – igualmente não aceita por quem se dedicou especificamente ao tema cangaço – se baseia em relatos de que Lampião, na intimidade, adorava perfume francês, usava um lenço de seda e muitos anéis nos dedos. Foi o suficiente para a conclusão – de Pedro, claro, mas não de Antônio Amaury, do alto de suas mais de 250 horas de conversa com cangaceiros e mais de 7 mil entrevistas realizadas sobre o assunto.
“Com todo o respeito, Mott dedicou a vida ao tema da homossexualidade, não ao estudo do cangaço. Não há o menor fundamento para se afirmar isso. Eu conversei com mais de 30 cangaceiros, alguns diretamente ligados a Lampião, e ninguém jamais sequer comentou esse tipo de coisa. Inclusive, conversei uma vez com a mulher de um cangaceiro, que foi presa e levada para Salvador. Ela contou que só ouviu falar desse tipo de conduta, entre pessoas do mesmo sexo, ao chegar lá, na cidade grande”, conclui Antônio.
Provas x AnedotasO médico-legista Estácio de Lima, autor de “O mundo estranho dos cangaceiros”, também é citado como fonte. Segundo Pedro, Lampião é descrito como um homem de “trejeitos afeminados”, com “postura de homossexual” e até “realizador da cultura homossexual”, conforme descreve o ex-juiz, acrescentando ainda que Lampião “não tinha capacidade de ereção”.
Antônio refuta:
“Não há testemunhos nem a menor evidência para esse tipo de acusação. Mas agora está na moda dizer que toda personalidade histórica foi homossexual. Uma das bases dessa acusação estapafúrdia de impotência foi um tiro que Lampião levou na virilha. Mas esse ferimento, comprovadamente, de modo algum afetou sua virilidade, muito menos, obviamente, sua masculinidade”.
Seja como for, Pedro de Morais não faz questão de esconder a antipatia pelo rei do cangaço, que foi tema da reportagem “Fascinantes facínoras”, publicada em maio pela RHBN.
“Eu trabalhei nas comarcas de Canindé e Poço Redonda e cansei de ouvir histórias escabrosas de Lampião. Meu objetivo é desmitificar esse canalha, um dos piores elementos que a natureza já produziu”, afirma.
Policial militar de Sergipe, Marcelo Rocha também faz pesquisas sobre o cangaceiro, mas sob o ponto de vista da polícia – ou seja, de quem não teria o menor motivo para defender Lampião. Ele também rejeita a tese.
“Não há a menor evidência sobre isso, nenhum relato ou livro com fundamento para tanto. O máximo que havia era conversas de esquina, meras anedotas do povo”.
















































































Soraia Lima
26/2/2012È só mais um escritor usando um grande nome como escada !
Archimedes Marques
6/2/2012GOSTARIA DE ENTRAR EM CONTATO COM O COMENTARISTA ALESSANDRO CARDOSO RIBEIRO. MEU ENDEREÇO DE E-MAIL: archimedes-marques@bol.com.br
José Bezerra
26/12/2011Peço que publiquem o artigo que escrevi sobre as invencionices do livro desse senhor sobre Lampião e Maria Bonita, sem nenhum fundamento nos fatos e na História. Segue o link abaixo: http://lampiao-cangaco.blogspot.com/
Raquel martins
19/12/2011A matéria só faltou levantar uma questão, o comportamento homofóbico do "juizinho" que disse essa porcarias de um grande herói do país, pessoas assim não deveriam prestar serviços de justiça, para isso é preciso ter ética, é esse tipo de gente que faz a justiça brasileira ser o que é: cega!
Archimedes Marques
15/12/2011O autor do livro não tem compromisso algum com a história. Ele atingiu o seu objetivo que foi aparecer para vender todos os livros, entretanto, todo o dinheiro que ele vai ganhar certamente ele vai perder, e muito mais, para a familia de Lampião e Maria Bonita pois ele não terá como provar as suas fracas alegações. Tem gente que faz de tudo para aparecer, até mesmo tentar mudar a história como se fosse o dono da verdade. E as centenas de pesquisadores e escritores que ja escreveram mais de mil livros sobre o tema entrevistando imensidão de pessoas que vivenciaram aquele tempo e que nunca diseram tamanha insensatez onde é que fica?... São todos mentirosos e ele o dono da verdade?...
Alberto Pessanha
12/12/2011Infelizmente, Lampião não tem como defender sua honra, coisa que fez tão bem em vida.
Alberto Pessanha
12/12/2011Infelizmente, Lampião não tem como defender sua honra, coisa que fez tão bem em vida.
Alberto Pessanha
12/12/2011Infelizmente, Lampião não tem como defender sua honra, coisa que fez tão bem em vida.
ALESSANDRO CARDOSO RIBEIRO
10/12/2011Tudo isso, porque agora virou moda em Sergipe, Juízes ou Burocratas aposentados do Tribunal de Justiça,estado onde vivo e onde reside o tal juiz pseudo-historiador "Pedro De Morais", escreverem ou auto-biografias, onde se destacam, as apologias pessoais, sem remeterem a nenhum erro, como que se humanamente isso fosse possível, ou pior, escreverem livros de História! Isso sem nenhum rigor cientìfico, e muitas vezes baseados em "achismos" ou na história oral, sem o devido rigor! Já que um juiz pode ser "historiador", quem sabe "nós",historiadores poderemos também darmos senteças! Seria uma boa! Afinal não teria o coorporatismo e nem a omissão típica de alguns desses!
Givaldo
8/12/2011É curioso pensar que o problema de tudo é no indivíduo ser gay. O que estamos lidando aqui é duas coisas: um "fulano" que diz fazer pesquisa histórica - sabe-se lá como - e a difamação do personagem (como se a possivel homossexualidade dele fosse "A"de carater dele). Se ele era ou não gay, isso não maximiza nem minimiza o que ele fazia. Ou seja: não serve pra nada ele "trabalho" do juiz Pedro. Além disso, ele mexe com a conduta de Maria Bonita, que é tida por adultera e, como se sabe, se hj se fala isso de alguem sem provas, é processo na certa...
Paulo André Moraes de Lima
8/12/2011O mais lamentável nesse episódio é que os dois lados parecem concordar que a eventual homossexualidade de Lampião seria um defeito grave, uma falha de caráter. Creio que mais relevante do que a própria verdade histórica é a homofobia flagrante que sustenta os termos dessa "polêmica" e que, infelizmente, o artigo não parece interessado em questionar.