Um acessório do acervo pessoal de Anita Peçanha, mulher do ex-presidente Nilo Peçanha, vem intrigando pesquisadores e visitantes do Museu da República, no Rio de Janeiro. Semelhante a um prendedor de cabelo, tal função do objeto foi descartada por historiadores especialistas no assunto. Há um mês, a pesquisadora de acervo do museu, Isabel Portella, enviou imagens da peça a especialistas em moda e museus europeus, mas até hoje o mistério não foi desvendado.Em 1948, foi doado ao Museu Histórico Nacional parte do acervo pessoal do casal Peçanha. O restante do material chegou em 1960. A partir de 1977, as doações começaram a ser transferidas para o Museu da República, mas ficou armazenado devido a uma grande reforma na instituição, reaberta apenas no fim da década de 80.
Assim, a peça ficou engavetada por vários anos junto de diversos outros itens da coleção pessoal de Anita. O objeto acabou sendo cadastrado como trepa-moleque, até que há alguns anos Isabel Portella o reencontrou e desconfiou do nome. A museóloga Vera Lima, responsável pelo setor de indumentária do Museu Histórico Nacional, concordou com Portella, e o mistério estava formado.
Pesquisadores do Museu dos Trajes de Lisboa foram contactados, mas não deram nenhum retorno. Curadores ligados à área de moda – como Emília Duncan, responsável pela exposição “Mulheres Reais” que aconteceu em 2009 na Casa França Brasil – também foram procurados, mas o mistério continuou.
Portella não desistiu. Certo dia, uma professora de História de Florianópolis, em visita ao museu, conheceu o caso e pediu para que as fotos do objeto fossem enviadas. Mas, novamente, não houve resposta. O mesmo aconteceu com as tentativas de contato com o Museu de Indumentária de Boston.“Acredito que nós, museólogos, não podemos nos envergonhar em dizer que não sabemos todas as informações. Pedimos ajuda ao público e à imprensa para solucionar o mistério”, lembra Portella.
Exposição S.O.S.
A saída foi transformar a dúvida em exposição. Isabel pôs lado-a-lado outros três objetos de difícil reconhecimento para os homens modernos. “Você conhece, você já viu – Tá quente, tá frio” ficou oito meses no museu: três objetos foram expostos sem etiquetas, trazendo apenas alguns painéis com dicas sobre eles. Na última sala, estava o misterioso acessório com um pedido de ajuda ao público. Súplica repetida novamente por Portella, que pede que sugestões e dicas para desvendar o enigma sejam enviadas para seu e-mail (isabel.portella@museus.gov.br).
Não foi a primeira vez que a pesquisadora se deparou com um mistério do tipo. No próprio acervo do casal Peçanha, por exemplo, havia um objeto cadastrado como farinheira de mesa. Portella desconfiou, pesquisou e concluiu que faltava um pedaço da peça. Tratava-se, na verdade, de uma antiga mantegueira. A parte ausente no quebra-cabeças era um pratinho de cristal, sobre o qual se colocava gelo para manter a manteiga fresca.Enquanto isso, o marido de Anita será alvo de uma nova exposição no Museu da República. “Nilo Peçanha e a Reação Republicana” focaliza, exatos 90 anos depois, a eleição presidencial de 1922, marcada por intenso debate. Disputando contra um forte candidato apoiado por São Paulo e Minas Gerais, a campanha, intitulada Reação Republicana, percorreu grande parte do território brasileiro buscando convencer os eleitores – fato, até então, inédito no país. Mesmo derrotada, a Reação Republicana constituiu-se na principal oposição ao pacto oligárquico que sustentou a Primeira República. A exposição começa no dia 1º de março e vai até o dia 31 de maio.
















































































André Rico
18/2/2012Antes de Giuseppe Garibaldi conhecer Anita, ele se apaixonou por Manuela, sobrinha de Bento Gonçalves, um dos líderes do movimento farroupilha. Queria se casar com a moça, mas a família alegou que ela estava prometida a um primo. Era mentira. Por mais que admirassem Giuseppe, os parentes de Manuela o consideraram aventureiro demais. Ela morreria aos 84 anos, sem jamais ter se casado e conhecida ainda como “a noiva de Garibaldi”. (Curiosidade pinçada do recém-lançado livro “Amores Proibidos na História do Brasil”.) http://livraria.folha.com.br/catalogo/1176627/amores-proibidos-na-historia-do-brasil