A novela que envolve a luta pela permanência do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) em sua sede anexa, a Casa do Capão do Bispo, em Del Castilho, no Rio de Janeiro, parece estar no fim. Em meados do ano passado, a Secretaria Estadual de Cultura decidiu encerrar o acordo de permanência do IAB na construção do século XVIII, e deu como prazo final para a saída dos funcionários - e das mais de 180 mil peças arqueológicas - o dia 31 de janeiro.O Capão do Bispo, patrimônio tombado pelo Iphan e que abriga parte do Instituto há 37 anos, não vai bem das pernas: precisa de reformas urgentes para não desmoronar. De um lado, o IAB quer ficar, mas não tem dinheiro para bancar as obras; de outro, a secretaria não tem interesse em investir num imóvel ocupado por uma organização privada. Correndo por fora, há o Iphan, que exige a restauração da casa desde 2006, assim como a preservação dos bens do museu, ambos sob sua proteção.
“Estamos lutando para ficar. Aqui é um centro importante de pesquisas, trabalhamos junto à comunidade e ainda temos espaço para expor as relíquias do acervo”, declara Paulo Seda, vice-presidente do IAB. “Mas temos a sensação de não ter mais como levar adiante essa luta. A secretaria não cede e não conseguimos apoio externo”, completa.
Secretaria quer construir um centro cultural
A sede oficial do IAB não fica no Capão do Bispo, mas sim no município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Segundo a Secretaria de Cultura, os seis prédios construídos na cidade teriam capacidade e condições ideais para armazenar todo o acervo do IAB, embora a direção do instituto alegue que seria praticamente inviável manter um museu e um centro de pesquisa ali. Os motivos são óbvios: Belford Roxo fica longe do centro turístico do Rio de Janeiro, na contramão tanto para visitantes quanto para funcionários e estudantes que frequentam o espaço em Del Castilho.
A secretaria também afirma não ter mais condições de permitir a estada prolongada da organização privada nas dependências públicas. Por meio da assessoria de imprensa, o órgão afirma que quer instalar no Capão do Bispo um centro cultural, voltado para a comunidade, já que “nestes 37 anos o IAB nunca teve a posse formal do imóvel e nunca pagou pelo uso ou deu qualquer contrapartida ao Estado. E, sobretudo, nunca fez a devida manutenção da casa”.O fato é que, em meio ao embate de palavras, a construção colonial está em perigo. Com a saída dos arqueólogos do prédio, que tem uma área de entorno de 6 mil m², o governo pretende dar início à reforma. De acordo com a secretaria, uma licitação para restauração já está a caminho e, em breve, será decidido o destino da casa.
O passado e o presente
Apesar de ter sido construído apenas no século XVIII, o Capão do Bispo integra uma das propriedades rurais mais antigas do estado do Rio – é o que sobrou de uma Sesmaria doada por Estácio de Sá a jesuítas, por volta de 1560. A casa foi erguida sobre uma colina e serviu de residência para o Bispo D. José de Castelo Branco até sua morte, em 1805, quando foi entregue nas mãos de herdeiros.
Em 1975, já tombada pelo Iphan por sua importância artística e sob guarda do governo do estado, a casa virou um braço do IAB, o qual criou ali um centro de estudos em arqueologia, que hoje desenvolve tanto pesquisas na área quanto projetos de educação patrimonial voltados para a comunidade. Ali funciona também um museu, que possui mais de 180 mil peças arqueológicas, como cerâmicas e ferramentas indígenas pré-colombianas.
Saiba mais: Vamos nos queixar ao Bispo
















































































Adilson Lima
20/3/2012Moro em frente ao Casarão, como chamamos por aqui há 53 anos, e nunca vimos nada que o IAB tivesse feito para melhorar as condições deste local. Já vão tarde, e é a maior mentira, que a comunidade do entorno apoie a sua permanência. Não concordamos com os descasos na conservação deste local, e torcemos para que se faça ali, um Centro Cultural, como noticiado. Qualquer um que se coloque como locatário deveria preservar o local a que se tenha responsabilidade, coisa que o IAB nunca fez. Lamentamos que pessoas que sequer conhece da historia do lugar venha se valer de dizeres revoltosos de uma ditadura passada.
Justo
3/2/2012Um absurdo...o IAB faz consultoria, a galera ganha uma grana e os caras não reformam o prédio...tem que sair mesmo...estão enchendo o bolso de dinheiro e não tem coragem de reformar o prédio? pensei que o IAB não tivesse fins lucrativos...
Thales Ribeiro de Magalhães
19/1/2012Vão jogar fora a Pharmácia Popular de Bananal e os preciosos achados do Museu no Capão do Bispo. Deixa de ser cultura para ser curtura... Imagino como se sentem o Sr. Graça e o Prof. Paulo Seda.Voltamos aos tempos do Ponham-se na Rua... O Thales