Viagem virtual pelo patrimônio brasileiro

Site permite que internautas vejam patrimônios mundiais, nacionais e estaduais em 360 graus, do ponto de vista de quem está no local

Felipe Sáles

  • Um dos painéis em azulejo da Igreja de São Francisco, em Olinda, Pernambuco, representando a vida do santo. Crédito: ReproduçãoQue tal fazer uma viagem por alguns dos patrimônios do Brasil (e da humanidade)? Com alguns cliques, o internauta pode entrar na clausura de uma igreja do século XVIII, em Pernambuco, seguir viagem até uma casa grande em Campinas, São Paulo, e depois dar um pulinho na Praça Santa Cruz em São Cristóvão, Sergipe, que conserva a arquitetura digna da quarta cidade mais antiga do Brasil.

    Esta é a proposta do site Hzoom, que documenta e difunde fotografias de 360 x 180 graus que mostram vestígios dos processos históricos, dimensões das paisagens e traços da arquitetura brasileira. As “fotografias imersivas” permitem ao usuário ver o patrimônio de um ponto de vista de 360 graus – dando a sensação de estar no centro da ação, como se estivesse no local.

    Já estão disponíveis três sítios do patrimônio mundial (Serra da Capivara, no Piauí; Olinda, em Pernambuco; e São Cristovão, no Sergipe) e alguns do patrimônio nacional e estadual (em Sete Cidades, no Piauí, e em Campinas, São Paulo).

     

    Recursos próprios

    A empreitada começou pelas mãos do historiador Rafael Vasconcellos depois de notar uma carência de registros do patrimônio mundial do Brasil na internet, à despeito das tecnologias amplamente difundidas na rede que permitem o internauta fazer uma imersão em determinadas regiões. Até contar com o apoio da Secretaria estadual de Cultura de São Paulo, foi com recursos próprios que Rafael – acompanhado da fotógrafa Marília Vasconcellos e da historiadora Mirza Pellicciotta – começou a documentar três sítios do patrimônio mundial.

    “Em janeiro deste ano, durante nossas férias, decidimos antecipar a documentação de três sítios do patrimônio mundial do Brasil. Para nós foi uma descoberta. Visitamos três maravilhas do Brasil reconhecidas mundialmente, mas curiosamente pouco conhecidas pelos brasileiros, com exceção de Olinda, uma cidade tradicionalmente ligada aos festejos do carnaval. Nosso objetivo é tão desafiador que pretendemos dedicar anos e anos das nossas vidas para documentar o máximo possível”, conta Rafael, gestor do Hzoom.

    O Convento de São Francisco faz parte do conjunto arquitetônico construído no século XVIII em Olinda, Pernambuco.Crédito: Reprodução

     

    Missão árdua

    Agora, eles vão começar a documentar outros 15 sítios do patrimônio mundial, etapa que deve ser concluída dentro de um ano. Paralelamente, outros sítios de âmbito nacional e estadual serão documentados de acordo com aspectos históricos, culturais, de meio ambiente e de turismo. A missão é árdua: são quase 200 bens tombados em todo o Brasil, sem contar cerca de dois mil patrimônios estaduais e municipais. O desafio agora é correr atrás de patrocínio e do apoio de instituições como o Iphan e a Unesco.

     “Achamos que este tipo trabalho pode nos dizer muito mais coisas que uma foto convencional, especialmente porque tem a clara intenção de levar o observador para dentro dela. A navegação no site pretende ser uma espécie de viagem virtual. Para quem não conhece o lugar é uma visita de reconhecimento; para quem conhece é uma oportunidade de rever as belezas, de revisitar o espaço”, argumenta Rafael.

    Casa grande e tulha de fazenda açucareira do final do século XVIII, patrimônio mundial em Campinas, São Paulo. Crédito: Reprodução

     

    Próximas paradas

    A ideia é focar nos monumentos tombados pela Unesco, por representar uma síntese da nossa “riqueza histórica, cultural e ambiental”. Os próximos sítios previstos no projeto são os seguintes: Parque Nacional do Jaú, na Amazônia Central (AM); do Centro Histórico de São Luiz do Maranhão (MA); do Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (PI); do Centro Histórico da Cidade de Olinda (PE); Arquipélago de Fernando de Noronha (PE); Praça de São Francisco, em São Cristovão (SE); Centro Histórico de Salvador (BA); Costa do Descobrimento, Reserva da Mata Atlântica (BA e ES); Plano Piloto de Brasília (DF); Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas, Reservas do Cerrado (GO); Centro histórico de Goiás (GO); Pantanal Matogrossense (MT); Centro histórico de Diamantina (MG); Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (MG); Cidade histórica de Ouro Preto (MG); Mata Atlântica, Reservas do Sudeste (SP e PR); Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR) e Ruínas das Missões Jesuíticas Guarani, em São Miguel das Missões (RS).

    Como os integrantes são todos de São Paulo, o estado, naturalmente, vem sendo o maior contemplado. Estão previstos, por exemplo, a documentação dos vestígios da ocupação de São Paulo ao longo do seu litoral nos séculos XVI, XVII e XVIII em Santos, Cubatão, Bertioga, Guarujá, São Vicente, Itanhaém e Peruíbe.

          Patrimônio da humanidade, a Praça de São Francisco (ou Praça de Santa Cruz), em São Cristóvão, Sergipe, deu forma à Capitania de Sergipe del Rey, à Província e ao Estado de Sergipe. Crédito: Reprodução      

     

    Crédito da capa: Interior da Igreja de São Francisco de Assis, em Olinda, Pernambuco. Crédito: Reprodução

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