Que tal fazer uma viagem por alguns dos patrimônios do Brasil (e da humanidade)? Com alguns cliques, o internauta pode entrar na clausura de uma igreja do século XVIII, em Pernambuco, seguir viagem até uma casa grande em Campinas, São Paulo, e depois dar um pulinho na Praça Santa Cruz em São Cristóvão, Sergipe, que conserva a arquitetura digna da quarta cidade mais antiga do Brasil.Esta é a proposta do site Hzoom, que documenta e difunde fotografias de 360 x 180 graus que mostram vestígios dos processos históricos, dimensões das paisagens e traços da arquitetura brasileira. As “fotografias imersivas” permitem ao usuário ver o patrimônio de um ponto de vista de 360 graus – dando a sensação de estar no centro da ação, como se estivesse no local.
Já estão disponíveis três sítios do patrimônio mundial (Serra da Capivara, no Piauí; Olinda, em Pernambuco; e São Cristovão, no Sergipe) e alguns do patrimônio nacional e estadual (em Sete Cidades, no Piauí, e em Campinas, São Paulo).
Recursos próprios
A empreitada começou pelas mãos do historiador Rafael Vasconcellos depois de notar uma carência de registros do patrimônio mundial do Brasil na internet, à despeito das tecnologias amplamente difundidas na rede que permitem o internauta fazer uma imersão em determinadas regiões. Até contar com o apoio da Secretaria estadual de Cultura de São Paulo, foi com recursos próprios que Rafael – acompanhado da fotógrafa Marília Vasconcellos e da historiadora Mirza Pellicciotta – começou a documentar três sítios do patrimônio mundial.
“Em janeiro deste ano, durante nossas férias, decidimos antecipar a documentação de três sítios do patrimônio mundial do Brasil. Para nós foi uma descoberta. Visitamos três maravilhas do Brasil reconhecidas mundialmente, mas curiosamente pouco conhecidas pelos brasileiros, com exceção de Olinda, uma cidade tradicionalmente ligada aos festejos do carnaval. Nosso objetivo é tão desafiador que pretendemos dedicar anos e anos das nossas vidas para documentar o máximo possível”, conta Rafael, gestor do Hzoom.
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Missão árdua
Agora, eles vão começar a documentar outros 15 sítios do patrimônio mundial, etapa que deve ser concluída dentro de um ano. Paralelamente, outros sítios de âmbito nacional e estadual serão documentados de acordo com aspectos históricos, culturais, de meio ambiente e de turismo. A missão é árdua: são quase 200 bens tombados em todo o Brasil, sem contar cerca de dois mil patrimônios estaduais e municipais. O desafio agora é correr atrás de patrocínio e do apoio de instituições como o Iphan e a Unesco.
“Achamos que este tipo trabalho pode nos dizer muito mais coisas que uma foto convencional, especialmente porque tem a clara intenção de levar o observador para dentro dela. A navegação no site pretende ser uma espécie de viagem virtual. Para quem não conhece o lugar é uma visita de reconhecimento; para quem conhece é uma oportunidade de rever as belezas, de revisitar o espaço”, argumenta Rafael.

Próximas paradas
A ideia é focar nos monumentos tombados pela Unesco, por representar uma síntese da nossa “riqueza histórica, cultural e ambiental”. Os próximos sítios previstos no projeto são os seguintes: Parque Nacional do Jaú, na Amazônia Central (AM); do Centro Histórico de São Luiz do Maranhão (MA); do Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato (PI); do Centro Histórico da Cidade de Olinda (PE); Arquipélago de Fernando de Noronha (PE); Praça de São Francisco, em São Cristovão (SE); Centro Histórico de Salvador (BA); Costa do Descobrimento, Reserva da Mata Atlântica (BA e ES); Plano Piloto de Brasília (DF); Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas, Reservas do Cerrado (GO); Centro histórico de Goiás (GO); Pantanal Matogrossense (MT); Centro histórico de Diamantina (MG); Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo (MG); Cidade histórica de Ouro Preto (MG); Mata Atlântica, Reservas do Sudeste (SP e PR); Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR) e Ruínas das Missões Jesuíticas Guarani, em São Miguel das Missões (RS).
Como os integrantes são todos de São Paulo, o estado, naturalmente, vem sendo o maior contemplado. Estão previstos, por exemplo, a documentação dos vestígios da ocupação de São Paulo ao longo do seu litoral nos séculos XVI, XVII e XVIII em Santos, Cubatão, Bertioga, Guarujá, São Vicente, Itanhaém e Peruíbe.

Crédito da capa: Interior da Igreja de São Francisco de Assis, em Olinda, Pernambuco. Crédito: Reprodução
















































































Maristela Maria
8/11/2011Parabéns Rafael pelo trabalho, não podemos deixar nossa história se perder no tempo e no espaço. Gostaria se possível um dia visitar in loco esses lugares do Brasil.
Ivan Leardini
4/11/2011O site HZoom é uma bela iniciativa,com realização competente e acertiva. Revelar-se-á, em meu entender, uma ferramenta muito útil para fins educacionais - além de servir para incitar ao público leigo a curiosidade sobre nosso Patrimônio Histórico e Cultural. Parabéns
Rafael Vasconcellos
3/11/2011Magdaelei e Rose, agradecemos os comentários inspiradores. Rose, se o giro automático te provoca uma ligeira vertigem recomendamos que coloque o cursor do mouse dentro da foto e coordene o giro você mesma, vagarosamente. Esperamos que volte a visitar o nosso site. Abraços, Rafael Vasconcellos, gestor do Hzoom
magdaelei costa amorim
3/11/2011Pois ao contrario da leitora Rose, eu considero maravilhosas as fotos clicadas com o recurso olho de peixe. Assim, dá para ver todos os ângulos do local focado. Parabéns ao autor.
Rose Silveira
1/11/2011A ideia é, de fato, interessante, mas a realização precisa ser ajustada às pessoas que têm dificuldade de enxergar imagens nesse ângulo olho-de-peixe. Não recomendaria, por exemplo, às pessoas com labirintite. Por isso mesmo, eu tive dificuldades de percorrer o site.