Fechado ao público desde janeiro de 2005, o Museu da Abolição, em Recife, está reabrindo as portas com a exposição interativa “O que a abolição não aboliu” e uma nova filosofia: a de estimular a participação da sociedade no processo de reconstrução do museu.
A própria exposição já é resultado da mobilização de movimentos sociais, grupos religiosos e acadêmicos, que colaboraram com a pequena equipe de especialistas do museu no objetivo de suscitar a reflexão sobre a abolição da escravatura enquanto fato histórico, seus antecedentes e conseqüências na formação da sociedade brasileira.
A exposição tem duas salas: "Escravidão, resistência e abolição" e "Liberdade" (foto ao lado), onde o público pode “plantar” idéias numa caixa de areia, que mais tarde são transferidas para um painel denominado “colheita”.
“A idéia é criar um plano museológico participativo para a ocupação completa do prédio até o fim do ano. A exposição interativa é o primeiro passo para esse diálogo”, explica a historiadora Alice Liedke, técnica do Museu da Abolição.
Entre críticas e penúria
Inaugurado oficialmente em 13 de maio de 1983 com a exposição “O Processo Abolicionista Através dos Textos Oficiais”, o Museu da Abolição recebeu duras críticas do movimento negro naquela década por limitar-se a expor documentos oficias, como a Lei Áurea, sem maior oferecer ao público maior aprofundamento ou reflexão.
A exposição, com peças cedidas por outras instituições, permaneceu montada até 1990, quando o Museu foi fechado à visitação em conseqüência da reforma administrativa do governo de Fernando Collor, que extinguiu o orçamento destinado pela Fundação Nacional Pró-Memória para a manutenção do espaço.
Em setembro de 1996, o Museu da Abolição reabriu, desta vez com muito menos acervo, já que grande parte foi devolvida às instituições de origem, com sua área consideravelmente reduzida em conseqüência da ocupação do pavimento superior pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e com um quadro de pessoal insuficiente. Por falta de condições de funcionamento, o Museu da Abolição suspendeu o atendimento ao público em janeiro de 2005.
No mesmo ano, a equipe do museu realizou o Seminário “O Museu que nós queremos”, com o objetivo de mobilizar os diversos segmentos da sociedade pernambucana para debater conjuntamente o papel do Museu da Abolição. Representantes de movimentos sociais, de grupos religiosos e acadêmicos passaram a se reunir com a equipe para projetarem juntos um novo museu, voltado para a reflexão sobre a problemática da Abolição e aos anseios da comunidade afro-descendente.
A missão do museu foi redefinida para o resgate, a valorização e o reconhecimento do patrimônio material e imaterial dos afro-descendentes no país. Os objetivos passaram a ser a pesquisa, a preservação e a divulgação do patrimônio cultural afro-brasileiro em todas as suas manifestações, visando a promoção da reflexão crítica sobre a participação dos africanos e seus descendentes na história do Brasil e na formação da nacionalidade.
No segundo semestre, o Iphan – órgão ao qual o Museu é vinculado – deixará o casarão e se mudará para o prédio do antigo colégio Nóbrega, na Boa Vista. Com isso, o prédio situado na rua Benfica, nº.1150, em Madalena - onde morou o abolicionista João Alfredo Corrêa de Oliveira -, será todo ocupado pelo museu.
Programação
Inauguração da Exposição “O que a Abolição não aboliu”
12 de março de 2008
19h – Abertura das portas do Museu da Abolição
19:30 – Conferência de Abertura
· Evelina Grunberg – Diretora do Museu da Abolição
· Mário Chagas – Departamento de Museus e Centros Culturais do IPHAN
· Manoel Papai – Presidente da Associação de Amigos do MAB
· Arnaldo Vicente da Silva Filho – Movimento Negro Unificado/PE
20:30 – Visitação à Exposição
Apresentação Cultural: Apresentação de Dança Afro e Coco de Umbigada
21h – Coquetel.
Mais informações: (81) 3228-3011, mab@iphan.gov.br