Considerado um dos maiores economistas brasileiros do século XX, Celso Monteiro Furtado se destacou entre outros pensadores de sua geração porque em diversos momentos de sua vida teve a oportunidade de intervir diretamente na realidade brasileira. Suas teorias revelaram uma profunda inquietação com as desigualdades entre as economias centrais e periféricas e tiveram grande impacto no mundo acadêmico.
Em 1959, devido à grave crise pela qual passava a região nordeste do Brasil, Furtado sugeriu a criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), da qual se tornou diretor sob nomeação do presidente Juscelino Kubtschek. Em 1962, no governo João Goulart, ocupou a pasta do Ministério do Planejamento, sendo o responsável pela elaboração do Plano Trienal, o ponta-pé inicial para as polêmicas Reformas de Base.
Com o golpe militar de 1964, os direitos políticos de Furtado foram cassados e ele se exilou na França, onde assumiu a cátedra de professor de Desenvolvimento Econômico na Faculdade de Direito e Ciências Econômicas da Universidade de Paris, onde lecionou por 20 anos.
Com a anistia política, em 1979, voltou ao Brasil e em 1986 tornou-se Ministro da Cultura do governo José Sarney, sendo responsável pela primeira legislação brasileira sobre incentivos fiscais à cultura.
Natural de Pombal, cidade do sertão da Paraíba, formado em direito, Furtado escreveu um dos livros de maior impacto no pensamento econômico brasileiro: Formação Econômica do Brasil, publicado em 1959 e traduzido em nove línguas. Em 1997 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e em 2003 para a Academia Brasileira de Ciências.
Sua contribuição para a historiografia brasileira foi enorme. É leitura obrigatória em qualquer curso de História Econômica no Brasil. Entre seus livros estão: Contos da vida expedicionária – de Nápoles a Paris (1946), A pré-revolução brasileira (1962), Teoria e política do desenvolvimento econômico (1967), A hegemonia dos Estados Unidos e o subdesenvolvimento da América Latina (1973), O mito do desenvolvimento econômico (1974), O Brasil pós-“milagre” (1981), Brasil, a construção interrompida (1992), O longo amanhecer – reflexões sobre a formação do Brasil (1999), Introdução ao desenvolvimento: enfoque histórico-estrutural (2000) e Raízes do subdesenvolvimento (2003).
Saiba mais:
Centro Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento