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11/04/2008 Diminuir tamanho da letra
Celso Furtado (1920-2004)
Ministro do Planejamento de Jango, economista foi cassado pelos militares
Filipe Monteiro

Considerado um dos maiores economistas brasileiros do século XX, Celso Monteiro Furtado se destacou entre outros pensadores de sua geração porque em diversos momentos de sua vida teve a oportunidade de intervir diretamente na realidade brasileira. Suas teorias revelaram uma profunda inquietação com as desigualdades entre as economias centrais e periféricas e tiveram grande impacto no mundo acadêmico.

Em 1959, devido à grave crise pela qual passava a região nordeste do Brasil, Furtado sugeriu a criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), da qual se tornou diretor sob nomeação do presidente Juscelino Kubtschek. Em 1962, no governo João Goulart, ocupou a pasta do Ministério do Planejamento, sendo o responsável pela elaboração do Plano Trienal, o ponta-pé inicial para as polêmicas Reformas de Base.

Com o golpe militar de 1964, os direitos políticos de Furtado foram cassados e ele se exilou na França, onde assumiu a cátedra de professor de Desenvolvimento Econômico na Faculdade de Direito e Ciências Econômicas da Universidade de Paris, onde lecionou por 20 anos.

Com a anistia política, em 1979, voltou ao Brasil e em 1986 tornou-se Ministro da Cultura do governo José Sarney, sendo responsável pela primeira legislação brasileira sobre incentivos fiscais à cultura.

Natural de Pombal, cidade do sertão da Paraíba, formado em direito, Furtado escreveu um dos livros de maior impacto no pensamento econômico brasileiro: Formação Econômica do Brasil, publicado em 1959 e traduzido em nove línguas. Em 1997 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e em 2003 para a Academia Brasileira de Ciências.

Sua contribuição para a historiografia brasileira foi enorme. É leitura obrigatória em qualquer curso de História Econômica no Brasil. Entre seus livros estão: Contos da vida expedicionária – de Nápoles a Paris (1946), A pré-revolução brasileira (1962), Teoria e política do desenvolvimento econômico (1967), A hegemonia dos Estados Unidos e o subdesenvolvimento da América Latina (1973), O mito do desenvolvimento econômico (1974), O Brasil pós-“milagre” (1981), Brasil, a construção interrompida (1992), O longo amanhecer – reflexões sobre a formação do Brasil (1999), Introdução ao desenvolvimento: enfoque histórico-estrutural (2000) e Raízes do subdesenvolvimento (2003).

Saiba mais:

Centro Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento

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