Tradução de Josely Vianna Baptista
(www.record.com.br)
Após quatro décadas de repúdio, a obra do escritor (era como gostava de ser chamado) pernambucano Gilberto Freyre (1900-1987), talvez a principal inteligência brasileira do século XX, alcança verdadeiramente sua fortuna crítica, o que já provou Gilberto Freyre – um vitoriano nos trópicos (2005), de Maria Lúcia Pallares-Burke. O livro organizado pelo antropólogo Enrique Larreta e pelo crítico literário Guillermo Giucci destrincha a vida e o pensamento do autor que desaguaram em Casa-grande & Senzala (1933) e Sobrados e Mocambos (1936). Guiados por escritos autobiográficos de Freyre e por uma sólida pesquisa histórica, Larreta e Giucci conseguem recompor as impressões da infância, os anos de formação no Brasil e no exterior, as pesquisas que proporcionaram a epifania do mestre de Apipucos: “expor o valor de uma nação racial e culturalmente mestiça, híbrida de português, índio e negro.” Num tempo em que políticas públicas flertam com o racismo (mesmo que de sinal invertido), vale sondar a vida e a obra deste belíssimo intelectual, cujo pensamento já foi tachado de “ufanismo hipócrita”.
(Rodrigo Elias)