Albano Neves e Sousa, que registrou o ritual do n’golo na década de 1950 e descobriu seu vínculo com a capoeira, nasceu em Portugal em 1921, mas foi morar em Angola aos sete anos, acompanhando o pai, que assumira um cargo administrativo na então colônia portuguesa. Desde menino, sua paixão era pintar. Sua primeira exposição foi aos 15 anos. Ao terminar o liceu, foi estudar Belas-Artes no Porto, aderindo ao movimento modernista local com obras abstratas.
Somente na década de 1950 retornou a Angola e redescobriu o país. Fez então o que chamou de “opção pela África”: “A pintura abstrata era uma espécie de traição. Angola, que eu considerava a minha terra, merecia um pouco mais de mim”, explicaria mais tarde.
Como coletor etnográfico do Museu de Angola, passou a viajar pelo interior do país. Entre 1955 e 1975, percorreu as matas úmidas do Norte, as savanas de clima seco do Sul e todas as regiões intermediárias, convivendo com diferentes grupos étnicos. Ouvia suas histórias “à luz das fogueiras alta noite”, desenhando e pintando paisagens e gentes.
Tornou-se, assim, um dos mais extraordinários paisagistas e etnógrafos da Angola de seu tempo. A convite do Itamaraty, veio ao Brasil na década de 1960 e comoveu-se ao reconhecer aqui culturas tão familiares. Devido à guerra civil que eclodiu logo depois da independência de Angola, em 1975, decidiu emigrar para o Brasil com sua esposa. Faleceu em Salvador, em 1995.