Vicente Joaquim Ferreira Pastinha (1889-1981), ou simplesmente Mestre Pastinha, é considerado o maior propagador da capoeira angola, modalidade “tradicional” do esporte no Brasil. Em 1941, criou a primeira escola de capoeira legalizada pelo governo baiano, o Centro Esportivo de Capoeira Angola (Ceca), no Largo do Pelourinho. Em 1966, integrou a comitiva brasileira ao primeiro Festival Mundial de Arte Negra (1966), no Senegal, e foi um dos destaques do evento. Sua trajetória foi homenageada no filme “Pastinha, uma Vida de Capoeira” (1998), de Antônio Carlos Muricy. Recheado de imagens de época e ricos depoimentos do próprio mestre e de seus discípulos, o documentário será relançado este ano em DVD. “Pastinha era contra a violência na capoeira, acreditava na brincadeira, no jogo”, diz Muricy. O mestre transformou a capoeira em teatro e diversão, e ainda investiu em outras artes, como a pintura. Em 1965, publicou o livro Capoeira Angola, em que defendia a natureza desportista e não-violenta do jogo, que deveria servir para o “equilíbrio psicofísico” do praticante. Com o tempo, sua escola ganhou notoriedade, freqüentada por personalidades como o escritor Jorge Amado, o escultor Mário Cravo e o artista plástico Carybé, e cantada por Caetano Veloso no clássico disco “Transa” (1972). Apesar da relativa fama, Pastinha teve o mesmo destino de muitos outros “velhos mestres”, terminando seus dias na miséria e esquecido. Expulso do Pelourinho em 1973 pela prefeitura, sofreu dois derrames seguidos, que o deixaram cego e indefeso. O guerreiro baiano morreu aos 92 anos, calando berimbaus e atabaques. |