Morto em 2004, Leonel Brizola foi uma das personalidades políticas mais importantes da segunda metade do século passado. Herdeiro político de Vargas e Jango, a expressão nacional de sua trajetória não obliterou a identidade política com o povo fluminense. Um dos destaques do livro é o texto de Carlos Eduardo Sarmento sobre as eleições estaduais de 1982. Recém-chegado do exílio imposto pelos militares, Brizola venceu a disputa para o governo do Rio de Janeiro, quebrando uma longa cadeia de governos clientelistas no estado, dominado durante muito tempo por Chagas Freitas. Levando o debate do Rio para as questões nacionais e levantando a bandeira da renovação trabalhista, Brizola conquistou o eleitor carioca durante a campanha, mas teve que compor com forças tradicionais após assumir o governo. Era o início da abertura “democrática”, que já mostrava que os interesses tradicionais e conservadores continuariam a dar as cartas na política do Rio e do Brasil. (por Rodrigo Elias)