Camufladas pela vegetação dos pampas gaúchos, mais de mil escolas de madeira espalham-se pelo interior do Rio Grande do Sul. Padronizadas em sua arquitetura simples, quase rústica, elas são conhecidas como Brizoletas, em referência a Leonel Brizola (1922-2004). Foi ele quem mandou erguê-las durante seu mandato como governador, entre 1959 e 1963. Sua intenção era varrer o analfabetismo do estado. Hoje, a maioria das construções ainda está de pé. Mas muitas estão prestes a desabar.
Foi circulando pelas estradas da região que a jornalista Francis Maia deparou-se com uma das Brizoletas, num trecho da BR-116. Espantou-se com o estado de abandono e parou o carro para fotografar. “Ela estava escondida no meio de um capinzal, em estado precário”, conta. “Só não cheguei mais perto porque fiquei com medo de que tivesse cobra por ali”.
Segundo Francis, ainda é comum avistar as escolas pelas bandas rurais do estado. Ela diz que já viu casos ainda piores. “Tem algumas já desmontadas, completamente abandonadas. Parecem um amontoado de madeira”, denuncia.
Mas em alguns municípios há escolas que se salvam. Certas prefeituras tocam projetos para aproveitarem pelo menos a estrutura das Brizoletas. “Ainda que elas sejam pequenas e modestas, em alguns municípios existem projetos de transformá-las em museu ou espaço cultural”, diz Francis, reivindicando mais atenção a esses patrimônios. “As escolas foram projetadas para que nenhum rincão ficasse sem um local de estudo para as crianças. Merecem uma recuperação”.