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01/02/2010 Diminuir tamanho da letra
Trem passageiro
Presentes na memória de viajantes, as composições ferroviárias levaram progresso, cultura e muitos “causos” por onde passaram
Vivi Fernandes de Lima

Todo dia era assim: por onde o trem passava, saindo ou chegando a Curitiba, moradores, principalmente crianças, acenavam de portões e janelas. Alguns se aventuravam correndo, acompanhando os passageiros. Morando próximo da linha, Odair Antônio Brustolin, ainda criança nos anos 1960, também dava as boas-vindas ao trem. Mas quando a locomotiva estacionava, ele cumpria uma função de que ainda se orgulha: levava o almoço para o pai, o maquinista. O orgulho era tanto que hoje, aos 49 anos, Brustolin tem a mesma profissão do pai. “Desde os seis anos, eu já sabia que seria maquinista. Não tinha a menor dúvida”, garante.

Tanta certeza não veio só da tradição familiar. Brustolin, que atualmente conduz o trem turístico que liga Curitiba a Paranaguá, encanta-se com tudo que está ligado à viagem. “A cada dia vejo uma paisagem diferente, uma flor, um passarinho. Fico feliz de agradar aos turistas e passar por onde também passa a riqueza do país”, diz ele, referindo-se aos trens de carga que transportam principalmente grãos para o Porto de Paranaguá.

A ferrovia é um prato cheio para se admirar a paisagem da Serra do Mar. Mas o cenário não é a única coisa que encanta. Trabalhadores, passageiros e moradores de cidades por onde passam as composições guardam histórias que representam a chamada “cultura do trem”. Brustolin, que trabalha no ramo há 35 anos coleciona “causos”. “Uma vez, o trem estava carregado de frangos e teve que parar por um tempo na linha. Era noite, no meio da Mata Atlântica. Apareceu uma onça e ficou rondando os vagões. O segurança teve que subir no contêiner e ficar jogando pedras até ela ir embora”, conta o maquinista, no melhor estilo “história de pescador”.

O cantor e compositor Ivan Lins guarda na memória viagens de trem que fazia na infância. Do Rio de Janeiro, ele ia com a família para Muriqui, praia da Costa Verde do estado. “Eu gostava da vista, do balanço do trem, que me embalava”. Já nos anos 1960, a rotina era outra: ele circulava nas estradas de ferro de Minas Gerais – onde “trem” é sinônimo de “coisa”, ou seja, quase tudo – para participar de festivais universitários. Na década de 1970, com agenda profissional entre Rio e São Paulo, embarcava frequentemente no glamoroso trem noturno que ligava as duas metrópoles, da estação D. Pedro II (mais conhecida como Central do Brasil, no Rio) à Estação Barra Funda, na terra da garoa. “Sempre achei melhor viajar de trem do que de avião”, lembra o artista, que é Ferroviarista Emérito do Movimento de Preservação Ferroviária. (...)

Leia a matéria completa na edição de Fevereiro, nas bancas.

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