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| 05/02/2010 |
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| Gays nas Forças Armadas |
| General indicado para o Superior Tribunal Militar diz ser contra homossexuais nas Forças Armadas e esquenta a discussão sobre o tema, também em pauta nos EUA. |
| Adriano Belisário |
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Símbolo de virilidade, as Forças Armadas estremeceram esta semana com a discussão sobre a admissão de homossexuais nas companhias. Indicado para o cargo de ministro do Superior Tribunal Militar, o general Raymundo Nonato se posicionou contra esta medida por acreditar que os soldados não obedeceriam a um comandante que não fosse heterossexual.

Na direção contrária, as Forças Armadas dos Estados Unidos estão atualmente revisando suas políticas sobre o assunto para possivelmente permitir abertamente a presença de homossexuais na instituição. “A ideia de que o homossexual masculino é efeminado e medroso foi algo construído historicamente nos finais do século XVII na Inglaterra, segundo alguns estudos. Lá se consagrou o modelo do pederasta delicado, o dândi. Em outras sociedades, a homossexualidade estava ligada a comportamentos viris, por exemplo, entre os samurais do Japão Imperial”, explica o historiador Luiz Mott.
As declarações do general foram condenadas por personagens e instituições importantes, como a OAB e o senador Eduardo Suplicy. Apesar disto, Luiz Mott acredita que a maior parte da população é contra a admissão dos homossexuais. “Mas não há como escapar. O próprio patrono da Aeronáutica, Santos Dummont, tem inúmeras biografias que tratam de sua androgenia e homossexualidade”.
Se o tema é polêmico hoje, houve o tempo em que era tabu. E ainda assim não faltam exemplos históricos para demonstrar que estes casos não são novidades. Segundo Mott, José Vieira Couto de Magalhães (1837 - 1898) já vivia o conflito de ter sentimentos homoeróticos e pertencer às Forças Armadas. Destacado na carreira política e militar, ele chegou a ser presidente do Clube dos Oficiais Honorários do Exército e chefe do Partido Liberal em São Paulo.
O contexto social da época e sua alta posição na sociedade certamente não permitiriam a Couto de Magalhães assumir sua preferência sexual publicamente. Porém, dentre as dezenas de livros que escreveu, há um que fornece pistas interessantes sobre seu comportamento. Em ‘Diários Íntimos’, ele escreve sobre sua frustração com as parceiras que já teve, narra uma repressão policial a um baile de máscaras de travestis na Inglaterra vitoriana e descreve sonhos eróticos.
“Sonhei com Aarão, aquele meu escravo que vendi em Cuiabá, com o Luís e com um negro árabe que conheci em West India Road, ele estava deitado em umas grutas, estava na água enlouquecido e chupa bem, vem me dar o galho duro, grande, preto”, relata Couto em uma das passagens mais comportadas sobre suas imaginações noturnas.
Ainda assim, Luiz Mott recomenda prudência antes de tirar conclusões sobre Couto de Magalhães, que reconheceu a paternidade de três filhos naturais em seu testamento. “Se Couto Magalhães passou da intenção à ação homoerótica, não podemos saber. Seus escritos e sonhos identificam-no quando menos como homossexual latente. Mas há pesquisadores que indicam que havia rumores sobre a sexualidade dele já naquela época”, pontua o historiador. |
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