A aquisição da Fazenda da Marambaia ocorreu em 27 de fevereiro de 1856. Desembarcados dos tumbeiros, os escravos contrabandeados eram trazidos pelos vapores (movidos a roda) que Breves mantinha no local: Califórnia, Marambaia, Januária e Emiliana. Os dois últimos foram batizados com nomes de sobrinhas suas, o que lhe valeu uma reprimenda de Pedro II, por usar nomes de moças do Paço Imperial em negócio tão sujo. Após a quarentena em Marambaia, os cativos embarcavam para Itacuruçá e subiam a estrada, construída quase que integralmente por Joaquim Breves, até a Serra do Piloto, em Mangaratiba, para serem distribuídos pelas 72 propriedades do altiplano, na região de Rio Claro, Piraí, Barra do Piraí e Barra Mansa, para o trabalho nos cafezais. A estrada era um vaivém contínuo de tropas e escravos carregados de café para os portos. O historiador Brasil Gerson relata a vigilância das autoridades sobre o comendador: “O comandante Delfim Carlos e um funcionário do Ministro Nabuco alertaram o governo para a compra feita por Breves de uma vasta área no litoral, toda estéril, e que só poderia ser, portanto, para esconderijo e engorda de escravos contrabandeados. Tratava-se exatamente da fazenda da Marambaia em Guaratiba, englobando toda a restinga e ilha.”
Com a morte do “rei do café”, a fazenda entrou em decadência. Restam hoje as ruínas da sede, da capela (praia da Armação) e uma senzala. Em 1891, a viúva do comendador e herdeira da ilha vendeu a Marambaia. Hoje, a ilha (ou pontal) está sob o domínio da Marinha do Brasil, que mantém ali um Centro de Adestramento de Fuzileiros Navais. Quanto a Breves, morreu aos 85 anos e foi enterrado na capela que mandara edificar na Fazenda de São Joaquim da Grama. Apesar da riqueza de que usufruiu em vida, pediu no testamento um enterro simples, sem galões dourados ou enfeites de prata no caixão.
Aloysio Clemente Maria Infante de Jesus Breves Beiler é advogado, pesquisador da história fluminense e autor da monografia “Cidades Mortas: Declínio econômico das cidades do médio Paraíba na província do Rio de Janeiro no ciclo do café. Aspectos econômicos, históricos e sociais das cidades de Piraí, São João Marcos e Rio Claro no período de 1860 – 1900” (Rio de Janeiro, UNIFOA, 2002). Edita o site História do Café no Brasil Imperial.