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04/09/2007 Diminuir tamanho da letra
“O Breves? Era um véio bão!”
Revista de História

Em 1927, o jornalista Assis Chateaubriand visitou a Fazenda da Marambaia, que no tempo do Império pertenceu a Joaquim Breves, e publicou no O Jornal, a crônica intitulada “Um viveiro morto da mão-de-obra negra para o cafezal – Impressões vividas de uma visita à Fazenda do Comendador Joaquim Breves no Pontal da Marambaia”.

No seu depoimento Chateaubriand revela a decadência do solar, com 58 metros de frente, um largo alpendre corrido em toda a extensão, frisos dourados no teto, salões em triste abandono. O molhe de pedras onde atracavam os navios Marambaia e Emiliana, que serviam aos Breves, já não existia mais. Encontrando-se com antigos escravos, relata a opinião deles sobre o comendador: “Era um véio bão. Quando via nego assentado, despois do serviço, apreguntava se nego tava triste. E mandava reunir a senzala para dançar o cateretê e o batuque, fazendo tocar o bumba da barriga.”

“Parece que a mesa era farta, nas senzalas dos Breves” – escreve Chateaubriand. “Adriano Júnior, um dos escravos, disse-me que o senhor era o pai da pobreza. Quando vinha de Mangaratiba para Marambaia, a bordo ou do vapor Marambaia, ou do Emiliana, a senzala se alegrava”. A ilha era vista então como um ponto estratégico: “Ela lhe abria completamente o domínio do mar, para as comunicações seguras com os navios negreiros, que lhe traziam do outro lado do Atlântico o combustível humano com que alimentavam o fogo do trabalho no cafezal”. Aquela fazenda era na verdade o pulmão da sua grandeza latifundiária, em baixo e no alto da serra. O crescimento do cafezal impunha ao senhor, continuamente, a aquisição de mais braços escravos.

É ingênua, com certeza, a bondade de Breves descrita pelos ex-cativos. Marambaia era uma estação de engorda e reprodução – daí o “bom” tratamento dos cativos e a alimentação farta. Recentemente, foram encontrados na praia da Armação, além de objetos de louça, frascos de perfumes, porcelanas e material de trabalho, grilhões, algemas, grossas correntes, e ferros para pescoço, pés e boca. Era assim que funcionava a escravidão.

 

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