RH – Esse seu interesse pela questão da tecnologia. Quando começou?
NS – De meados ao final dos anos 70, ainda vivíamos aqui no Brasil uma situação de defasagem em relação a outros países, mas já se manifestava a idéia de que o futuro seria decidido no campo das aplicações tecnológicas. Era preciso, claro, atualizar urgentemente o debate. Quando eu fui para a Inglaterra, a questão já estava na ordem do dia, porque se vivia um período de consolidação da revolução da microeletrônica. Esse foi um tema que eu trouxe para o Brasil, e foi crucial para minha pesquisa sobre São Paulo, particularmente sobre o diferencial do processo histórico urbano paulista.
RH – Qual a importância da tecnologia no mundo contemporâneo?
NS – É crucial, desde que não seja considerada como panacéia ou mistificação, e sim como um recurso que sirva tanto ao crescimento econômico como à inclusão social, à promoção social e à democratização. É preciso tirar a tecnologia do plano estrito da economia e colocá-la também, de forma mais ampla, como um dos fundamentos de transformação no campo social.
RH – Em que setores, especialmente?
NS – Passa pela educação e até pelo modo como ela pode nos dar as respostas necessárias para o reajuste do equilíbrio ambiental. Graças a essas tecnologias você pode ter um alcance muito maior na sua atuação educacional, pode incluir muito mais amplamente diferentes camadas hoje excluídas da população. Por outro lado, pode pô-las em contato direto com diferentes dimensões não só da nação brasileira, mas do mundo contemporâneo. Porque a tecnologia é mundial, não tem fronteiras nacionais. Tem também esse potencial de trazer recursos para avaliar e defender o patrimônio e os recursos ambientais do planeta.