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01/04/2006 Diminuir tamanho da letra
Espaço vivo
Ao contrário do que parece, há muita vida pulsando nos cemitérios: seja em belíssimas obras de arte, ou em preciosas informações sobre a história.
Paulo Valadares

Para melhor ilustrar a riqueza de informações e experiências estéticas que este espaço social pode oferecer, tomaremos como exemplo o cemitério São João Batista, situado no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Fundado em 1851, pela Santa Casa de Misericórdia, o São João Batista sempre teve grande relevância social na vida da cidade. Ficava próximo da Corte, e foi o último endereço de nobres e altos funcionários do Império. Depois, com o advento da República, passou a acolher presidentes, ministros, artistas populares e gente comum.

Sua entrada principal, na rua General Polidoro – o próprio Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão, visconde de Santa Teresa (1802-72), está sepultado no cemitério –, desemboca na grande alameda central, que os coveiros chamam de “Vieira Souto” (nome de uma elegante avenida da abastada zona sul carioca), e onde repousam grandes personalidades da história brasileira. Logo no início, o túmulo do príncipe Sebastião de Belford (falecido em 1911), traz uma lápide sóbria, decorada com o brasão familiar, dois leões por timbre e o retrato de Sua Alteza num medalhão.  Perto dele está o singelo túmulo do marechal Costa e Silva (1902-69) e sua esposa, e do outro lado da alameda descansa, sob a sombra de uma árvore, o compositor Tom Jobim (1927-94). Mais ao fundo se encontra o túmulo de Vicente Celestino (1894-1968), e de sua esposa, a cantora Gilda de Abreu (1904-79) – o roubo do busto que o encimava, em 2004, ganhou os noticiários policiais, e o tornou nacionalmente conhecido. No fim da alameda está o impressionante cenotáfio – túmulo ou monumento fúnebre em memória de alguém cujo corpo não jaz ali sepultado –, do inventor Santos Dumont (1873-1932); e defronte, num túmulo de mármore negro, jaz a cantora e atriz Carmen Miranda (1909-55).

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